Com a aproximação das férias escolares de julho, as crianças passam mais tempo em casa, parques, clubes, praias e condomínios. A época, marcada por diversão e liberdade, também exige atenção redobrada dos pais e responsáveis para evitar acidentes e exposição a atividades perigosas. Ao investir em brincadeiras seguras e divertidas, é possível garantir momentos de alegria para que todos aproveitem ao máximo os dias de descanso com tranquilidade e bem-estar.
“Atividades tanto dentro quanto fora de casa despertam curiosidade nos pequenos e, apesar de ser um impulso saudável, sem a supervisão de um responsável, elas podem causar situações perigosas, especialmente quando as crianças tentam repetir o que veem na internet ou brincam sem estrutura adequada”, ressalta a psicopedagoga e escritora infantojuvenil Paula Furtado.
A especialista detalha que interações perigosas são aquelas que colocam a criança em risco físico, emocional ou psicológico. Muitas vezes, elas parecem “inofensivas” em um primeiro olhar, mas envolvem quedas, sufocamento, exposição excessiva, desafios que humilham ou colocam em risco a integridade física e a saúde emocional da criança.
Como reduzir os acidentes durante as férias?
Dentro de casa, escalar móveis, pular da cama, correr em escadas, brincar com objetos cortantes, choques em tomadas e queimaduras com panelas no fogão são brincadeiras e acidentes comuns. Fora de casa, é preciso ter atenção redobrada com piscinas, bicicletas sem proteção, brincadeiras na rua sem vigilância ou em lugares desconhecidos. “Protetores, travas e organização dos espaços ajudam muito e trazem mais tranquilidade aos adultos”, reforça a especialista.
A construção da autonomia infantil deve acontecer de forma gradual e sempre de acordo com a faixa etária. Crianças menores demandam supervisão mais próxima, e os momentos de independência podem ser ampliados conforme amadurecem e demonstram responsabilidade.
“Até os sete anos, a supervisão direta dos pais ou responsáveis é fundamental. A partir daí, é importante introduzir conversas sobre responsabilidade e limites, ampliando os espaços de liberdade de forma segura e respeitando o desenvolvimento de cada criança”, explica Paula Furtado.
Desafios virtuais também oferecem riscos
Entretenimento e desafios on-line também precisam entrar no radar dos pais. “Na internet, o perigo é mais silencioso. Vídeos com desafios, ‘pegadinhas’ violentas, jogos que envolvam dinâmicas que vão além de um simples passatempo ou estimulam autolesão ou exclusão, tudo isso pode afetar profundamente a autoestima e a segurança emocional das crianças”, alerta Paula Furtado.
Para a especialista, é importante estar atento aos sinais de exposição na infância, como mudanças de comportamento, irritabilidade, isolamento, medo excessivo ou relatos confusos sobre brincadeiras, que podem indicar que algo não está bem — ouvir, sem julgamento, é fundamental para oferecer o suporte necessário.
Além disso, a pressão para participar de brincadeiras perigosas, muitas vezes, expressa por frases como “todo mundo faz” ou “se eu não fizer, vou ser zoado”, deve ser encarada com acolhimento e reforço da autoestima. “Ensinar às crianças que elas podem dizer não com coragem é uma forma importante de protegê-las e promover um ambiente mais seguro e saudável para o seu desenvolvimento”, orienta.
Ambientes que exigem vigilância constante
Por fim, a psicopedagoga lista alguns ambientes e pontos críticos que merecem supervisão ativa dos pais, regras claras e atenção contínua dos responsáveis durante as brincadeiras das crianças:
- Praia: afogamentos, insolação, correntes de água;
- Campo: animais peçonhentos, quedas, queimaduras;
- Condomínio: brincadeiras em escadas, elevadores ou telhados, locais com risco de choque elétrico;
- Clubes: descuido em piscinas ou áreas escorregadias.
“Não existe infância sem aventura, mas é nossa responsabilidade criar ambientes com limites, onde a criança possa experimentar, crescer e errar sem se ferir. O brincar seguro é aquele que gera aprendizado, riso e boa memória. Supervisão ativa, regras claras e atenção contínua são essenciais”, finaliza a educadora.
Por Elenice Costola



















