Correr à beira-mar, disputar uma partida de beach tennis ou jogar futevôlei são atividades cada vez mais populares entre os brasileiros. O crescimento dessas modalidades tem levado mais pessoas a transformar a areia em espaço de prática esportiva, principalmente durante viagens, fins de semana e momentos de lazer ao ar livre.
O avanço do beach tennis, por exemplo, ajuda a ilustrar esse movimento. Segundo estimativas da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), a modalidade já reúne mais de 1,5 milhão de praticantes no país. O número mais do que triplicou desde 2021, quando a CBT apontava 400 mil pessoas praticando o esporte.
No Rio de Janeiro, por exemplo, outro esporte tradicional das praias também segue ganhando relevância. Criado nas areias cariocas na década de 1960, o futevôlei pode se tornar uma modalidade esportiva oficialmente reconhecida no país. Um projeto de lei em tramitação propõe incluí-lo na legislação esportiva brasileira.
Para Rodrigo Pastore, médico da área de ortopedia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, a prática esportiva na areia pode trazer benefícios importantes para o condicionamento físico, desde que o corpo esteja preparado para lidar com as exigências desse tipo de terreno. “A areia é uma superfície instável e absorve parte do impacto, o que pode reduzir a sobrecarga direta nas articulações em comparação ao asfalto”, explica.
No entanto, os esportes praticados na areia exigem adaptações do corpo e podem aumentar o risco de lesões quando realizados sem preparo adequado. “[…] Essa instabilidade exige mais trabalho da musculatura, sobretudo dos pés, tornozelos, pernas e tronco, aumentando a demanda por equilíbrio, coordenação e força. Quando o corpo não está preparado, o risco de lesões pode aumentar”, alerta o médico.
Lesões comuns causadas por esportes na areia
Embora cada modalidade apresente características específicas, algumas queixas aparecem com frequência nos consultórios de ortopedia entre praticantes de atividades na areia. Entre as lesões mais comuns, estão:
1. Entorses de tornozelo
A instabilidade do terreno aumenta o risco de torções, principalmente durante mudanças bruscas de direção, corridas ou aterrissagens após saltos.
2. Tendinite do tendão de Aquiles
O tendão localizado na parte posterior do tornozelo é bastante exigido em atividades que envolvem arrancadas, acelerações e impulsões, podendo sofrer processos inflamatórios por sobrecarga.
3. Dores lombares
A necessidade constante de estabilização do tronco pode aumentar a carga sobre a região lombar, especialmente em pessoas sedentárias ou com fraqueza muscular.
4. Lesões musculares
Panturrilhas e coxas estão entre os grupos musculares mais exigidos durante a prática esportiva na areia. Quando há excesso de esforço ou falta de condicionamento, podem surgir estiramentos e distensões.
5. Sobrecarga nos joelhos e ombros
Os deslocamentos constantes e os saltos podem gerar desconforto nos joelhos. No beach tennis e no futevôlei, os movimentos repetitivos acima da cabeça também aumentam o risco de dores e lesões nos ombros.
Areia fofa ou firme?
Rodrigo Pastore destaca que o tipo de areia também influencia a intensidade do esforço físico e o risco de lesões. “A areia fofa exige mais esforço muscular e aumenta a instabilidade, o que pode favorecer lesões por sobrecarga, sobretudo em tornozelos, panturrilhas e no tendão de Aquiles. Já a areia mais firme permite uma corrida mais eficiente e com menor gasto energético”, explica.
Para quem costuma correr próximo ao mar, o médico faz um alerta adicional: “É importante alternar o sentido da corrida, pois a inclinação natural da praia pode gerar sobrecarga assimétrica nos joelhos, quadris e coluna”.
Quando a dor deixa de ser normal
Sentir algum desconforto muscular após a prática de atividade física pode ser esperado, principalmente para quem está iniciando uma modalidade ou aumentou recentemente o volume de treino. No entanto, alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação médica:
“Uma leve dor muscular nas primeiras 24 a 48 horas após o exercício pode ser normal. O alerta surge quando a dor é intensa, persiste por vários dias, piora com o movimento, causa mancar, limita atividades do dia a dia ou vem acompanhada de inchaço, estalos, sensação de instabilidade ou perda de força. Nesses casos, é importante procurar avaliação médica”, explica o médico.
Como prevenir lesões sem abrir mão dos esportes na areia?
A maioria dos problemas envolvendo riscos de lesões durante a prática de esportes na areia pode ser evitada com medidas simples de preparação e adaptação. “A prevenção começa com a progressão gradual da carga de treino, o fortalecimento muscular, o aquecimento adequado e o respeito aos períodos de recuperação. Também é importante manter uma boa hidratação, evitar aumentos bruscos no volume de atividade e realizar exercícios específicos para a estabilidade dos tornozelos, joelhos e tronco”, destaca o ortopedista.
Por Nayara Campos



















