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Vórtice Ciclônico coloca o RS em alerta para muita chuva no Natal

Vórtice Ciclônico em Altos Níveis altera completamente o padrão do tempo no Brasil Vórtice Ciclônico em Altos Níveis será o principal responsável por uma mudança significativa no comportamento do tempo…
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Foto: Rogério Reinheimer Bernardes/Litoralmania

Vórtice Ciclônico em Altos Níveis altera completamente o padrão do tempo no Brasil

Vórtice Ciclônico em Altos Níveis será o principal responsável por uma mudança significativa no comportamento do tempo no Brasil nos últimos dias de dezembro.

De acordo com a MetSul Meteorologia, o fenômeno atmosférico vai provocar um cenário de extremos climáticos: chuvas volumosas, temporais e risco hidrológico elevado no Sul, enquanto grande parte do Centro-Oeste e do Sudeste enfrentará calor intenso, abafamento e redução da instabilidade.

O sistema começa a atuar com mais força a partir do dia 22 de dezembro, avançando inicialmente sobre a Bahia, deslocando-se para Goiás e Tocantins no dia 24 e seguindo em direção ao Mato Grosso e Mato Grosso do Sul entre os dias 25 e 26, período que coincide com o Natal.

O que é um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN)

O Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) é um sistema atmosférico caracterizado por uma circulação ciclônica em altitude, geralmente localizada entre 9 e 12 quilômetros acima da superfície.

No Hemisfério Sul, esse movimento ocorre no sentido horário.

Esse tipo de fenômeno se forma quando ar mais frio e seco em níveis elevados da atmosfera se organiza em um grande redemoinho, normalmente associado a instabilidades na circulação atmosférica superior.

É um sistema comum durante o verão e a primavera, especialmente entre o Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, regiões onde o forte aquecimento da superfície favorece esse tipo de configuração.

VCAN não é ciclone extratropical: entenda a diferença

Apesar do nome, especialistas reforçam que o VCAN não deve ser confundido com ciclones extratropicais, como o que recentemente provocou ventos intensos no Sul do Brasil.

Enquanto o ciclone extratropical atua desde os baixos níveis até a alta atmosfera, o Vórtice Ciclônico em Altos Níveis se limita às camadas superiores da atmosfera, apresentando uma dinâmica completamente diferente. Seus impactos no tempo são mais irregulares e localizados, exigindo atenção redobrada no monitoramento meteorológico.

Por que o VCAN provoca extremos de tempo no Brasil

Uma das principais características do Vórtice Ciclônico em Altos Níveis é seu comportamento contrastante:

  • No centro do sistema, ocorre subsidência do ar, o que resulta em tempo mais firme, menos nuvens, baixa umidade e calor intenso.

  • Nas bordas do VCAN, o cenário é oposto: há ascensão de ar quente e úmido, favorecendo a formação de nuvens carregadas, tempestades isoladas e chuva intensa.

É exatamente essa configuração que explicará o contraste climático no país durante a semana do Natal.

Canal de umidade da Amazônia será desviado para o Sul

Com o VCAN posicionado sobre o Centro do Brasil, o tradicional canal de umidade da Amazônia, que nesta época do ano costuma alimentar as chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, será desviado para o Sul do país.

Esse corredor de umidade avançará pelo interior do continente e permanecerá ativo sobre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina durante grande parte dos últimos dez dias de dezembro, criando condições ideais para chuvas frequentes, calor abafado e temporais típicos de verão.

Sul do Brasil entra em alerta para chuva volumosa e riscos hidrológicos

A MetSul Meteorologia alerta que o cenário é preocupante para o Sul do Brasil, especialmente durante a semana do Natal.

A combinação de atmosfera quente, alta umidade e instabilidade persistente eleva significativamente o risco de:

  • Chuva forte a intensa em curto período

  • Alagamentos urbanos

  • Enxurradas

  • Inundações repentinas

Os maiores volumes de chuva são esperados no Rio Grande do Sul, principalmente na Metade Norte, e em áreas de Santa Catarina.

Volumes de chuva podem ultrapassar 200 mm em áreas do RS e SC

Modelos meteorológicos indicam que os acumulados de chuva entre agora e o fim do mês podem variar entre 100 mm e 200 mm em diversas regiões do Sul.

No entanto, a MetSul não descarta acumulados localizados acima de 250 mm ou até 300 mm, especialmente em áreas onde as tempestades se repetirem.

Esses volumes elevados aumentam o risco de transtornos, principalmente em cidades com histórico de problemas de drenagem e em áreas ribeirinhas.

Temporais isolados: granizo, vento forte e muitos raios

Outro fator de atenção são os temporais isolados típicos de verão.

Sem a presença de uma frente fria organizada, a instabilidade ocorrerá de forma localizada, impulsionada pelo calor e pela umidade excessiva.

Essas tempestades podem provocar:

  • Grande incidência de raios

  • Rajadas de vento forte a intensa

  • Queda isolada de granizo

Por serem eventos muito pontuais, esse tipo de temporal só pode ser identificado com antecedência mínima, através de monitoramento em tempo real (nowcasting).

Calor intenso e abafamento no Centro-Oeste e Sudeste

Enquanto o Sul enfrenta excesso de chuva, o Centro-Oeste e o Sudeste terão um padrão oposto.

A atuação do Vórtice Ciclônico em Altos Níveis reduzirá significativamente a instabilidade nessas regiões, favorecendo:

  • Dias de sol e calor intenso

  • Noites quentes

  • Baixa umidade relativa do ar em alguns períodos

Mesmo assim, não se descarta a ocorrência de chuvas isoladas, típicas de verão, principalmente no fim da tarde.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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