Ventos offshore
Ventos offshore ganham protagonismo no Litoral Norte do Rio Grande do Sul com o novo projeto estratégico da Petrobras, que acaba de transformar uma monoboia já existente em Tramandaí em uma plataforma avançada de coleta de dados meteorológicos em alto-mar.
A iniciativa, inédita na região, marca um passo decisivo na corrida pela energia limpa e consolida o estado como o mais promissor do país para a geração eólica oceânica.
Petrobras amplia atuação e aposta na medição precisa dos ventos em alto-mar
A estatal brasileira adaptou uma de suas monoboias — tradicionalmente usadas no carregamento de petróleo e derivados — para abrigar um moderno sensor LiDAR, tecnologia de alta precisão capaz de mapear, em diferentes alturas, a intensidade, direção e comportamento dos ventos sobre o oceano.
O dispositivo, segundo a Petrobras, começa a operar na primeira quinzena de dezembro e permanecerá ativo por três anos, período no qual produzirá um vasto banco de dados que servirá como base para estudos sobre o potencial eólico offshore no litoral gaúcho.
A companhia destaca que as informações obtidas serão determinantes para definir a viabilidade, o posicionamento e o dimensionamento de futuros parques eólicos no mar, uma das fronteiras mais promissoras da transição energética global.
Como funciona o sensor LiDAR que mede ventos offshore com precisão milimétrica
A tecnologia LiDAR (Light Detection And Ranging) utiliza pulsos de laser para registrar movimentos e velocidades de partículas suspensas no ar.
Em aplicações marítimas, o equipamento mede velocidades do vento de forma remota, sem necessidade de torres físicas, o que reduz custos e amplia o alcance das medições.
Entre as principais vantagens do sistema instalado pela Petrobras estão:
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Captação de dados em múltiplas alturas, permitindo análises mais robustas sobre camadas atmosféricas.
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Alta precisão mesmo em condições extremas do oceano.
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Operação contínua, gerando informações em tempo real durante todo o ano.
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Baixo impacto ambiental, fator considerado essencial para as novas exigências dos órgãos reguladores.
RS lidera o país em projetos de parques eólicos offshore
Enquanto coleta dados inéditos sobre ventos offshore, o Rio Grande do Sul já desponta como líder nacional na corrida pela energia oceânica.
Segundo dados atualizados do Ibama, o estado possui 30 projetos de parques eólicos no mar em análise, somando impressionantes 75.908 MW de potência prevista — número que supera com folga o de todas as outras unidades federativas.
Se aprovados, esses empreendimentos poderão transformar profundamente o cenário energético do Brasil, ampliando a oferta de energia renovável e posicionando o RS como referência continental em inovação e sustentabilidade.
Além do impacto ambiental positivo, o setor promete novos empregos, investimentos bilionários, expansão logística, modernização portuária e fortalecimento de cadeias produtivas locais — elementos que vêm despertando grande interesse de empresas nacionais e internacionais.
Tramandaí entra no mapa estratégico da energia limpa
A escolha de Tramandaí para receber o monitoramento não é casual: o município possui histórico de operações marítimas da Petrobras e está localizado em uma área de ventos fortes e constantes.
A costa gaúcha, especialmente no Litoral Norte, é considerada uma das mais favoráveis do país para a geração eólica no mar.
Com o novo equipamento, a região passa a integrar um circuito de pesquisas fundamentais, elevando sua importância no planejamento energético brasileiro e abrindo caminho para investimentos estruturais em tecnologia e infraestrutura.
Transição energética e o papel do Brasil nas próximas décadas
A aposta da Petrobras reforça o movimento global de diversificação da matriz energética e responde às metas climáticas internacionais.
O Brasil, ao reunir condições naturais excepcionais e grande extensão litorânea, tem potencial para assumir protagonismo mundial em energia eólica offshore — setor que cresce de forma acelerada na Europa e na Ásia.
Com estudos mais precisos sobre ventos offshore, o país avança no desenvolvimento de políticas públicas, regulações e modelos de negócio que podem impulsionar a economia verde e colocar o Brasil no centro da inovação energética mundial.



















