Twingo foi o protagonista de uma viagem repleta de emoção, nostalgia e aventura.
Um médico gaúcho de 54 anos, sua esposa e seu filho embarcaram em uma jornada épica de 6.500 quilômetros rumo à Cordilheira dos Andes com o propósito de realizar um “funeral simbólico” para o veículo que acompanhou gerações da família.
A despedida foi marcada por desafios mecânicos, paisagens deslumbrantes e um profundo laço afetivo.
Uma história sobre amor, família e rodas
O Twingo 1994, de duas portas e quatro lugares, pertence à família do médico Sérgio Stangler, de Porto Alegre, há décadas.
O carro foi comprado pelo pai de Sérgio e serviu de aprendizado para filhos e netos. Anos depois, o veículo foi adquirido por Sérgio para que o filho, Hugo Vieira Stangler, pudesse aprender a dirigir.
Com o carro já aposentado, surgiu a ideia: uma viagem de despedida. “Antes de encostar ele de vez, pensei: vamos viver uma última aventura juntos”, contou Sérgio.
Preparativos e convite inusitado para cruzar os Andes
Com a rotina alterada pelas enchentes no Estado, a oportunidade apareceu. Em um almoço, Sérgio convidou o filho: “Topa uma viagem de Twingo até o Chile?”.
Após um dia pensando, Hugo aceitou. A esposa de Sérgio, Cindy Palominos Muñoz, também se uniu ao plano.
Sem um plano B, mas com documentos, peças revisadas e o adesivo “Cruzando los Andes en un Twingo” colado, o trio partiu de Porto Alegre rumo ao desafio.
No volante rumo ao Atacama: roteiro da aventura
A família passou por Iraí, onde visitou os pais de Sérgio. Depois, cruzaram a fronteira por Bernardo de Irigoyen, seguiram por Posadas, El Quebrachal, Quebrada de Humahuaca, Cuesta de Lipán e Salinas Grandes até alcançarem San Pedro de Atacama, no Chile, via Paso de Jama.
Entre os destinos turísticos, exploraram o Valle de la Luna e Piedras Rojas, locais que marcaram o ponto alto da experiência.
Estrada, imprevistos e emoção: escapamento perdido e barulho extra
Na volta ao Brasil, um susto: o cano de escapamento se soltou, obrigando-os a parar em oficinas.
Um mecânico retirou o escapamento por completo, tornando a viagem até Uruguaiana barulhenta, mas não menos divertida.
Ao cruzarem novamente a fronteira, os agentes reconheceram o Twingo. “Ficaram encantados e tiraram fotos. Foi sensacional”, lembra Sérgio, emocionado.
Uma viagem de aprendizado e memória afetiva
A aventura serviu como lição. Sérgio queria mostrar ao filho que não é preciso luxo para viajar.
“Aproveitar o caminho, as conversas, os perrengues — isso é o mais valioso”, afirma Hugo, que já embarcou sozinho para Buenos Aires e planeja novos destinos.
Hoje, o Twingo está de volta à garagem da família, encerrando sua jornada com dignidade e significado. “Já me despedi emocionalmente dele, mas não consigo me desfazer”, diz Sérgio.
Um viajante nato
Sérgio não é um novato nas aventuras. Com dois passaportes completos e o terceiro em andamento, está em ano sabático.
Já passou por Cuba, Panamá e Tailândia, com planos de visitar o Vietnã, Japão e China.
Mais do que pontos turísticos, ele busca conexões humanas. “Meu objetivo é ser convidado para jantar por alguém local. Sou um viajante de lugares de difícil acesso”, resume.



















