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Transporte Ferroviário e de sua substituição pelo sistema Rodoviário – Erner Machado

( Preventivamente aviso: é um texto longo)         Em passado recente diante de um grave acidente envolvendo   uma Carreta e uma Van, em outubro de 2024 que deixou nove mortos …
Erner Machado

( Preventivamente aviso: é um texto longo)

        Em passado recente diante de um grave acidente envolvendo   uma Carreta e uma Van, em outubro de 2024 que deixou nove mortos   entre eles sete jovens remadores, que retornavam para Pelotas, eu fiz um contundente texto no qual condenava a substituiçao do transporte de pessoas e cargas via Rede de  Ferrovias, pelo transporte em veículos de grande porte que utilizam-se, em todo o Brasil,  de estradas deficientes em termos de segurança e conservação.

        Os meios de comunicação nos informam que na manhã de quarta-feira dia 26.11.25 uma filha de 59 anos, e uma mãe de 82,  foram identificadas como as vítimas fatais de um acidente no qual, ao realizarem uma ultrapassagem, a caminhonete que  a filha dirigia, na estada do mar, entre Capão Novo e Arroio Teixeira, bateu  de frente, com um caminhão.

        Hoje, soube-se que um acidente grave envolvendo dois caminhões, um deles transportando botijões de gás, ocorreu na manhã desta sexta-feira (28 de novembro de 2025) na BR-386, em Mormaço, na Região Norte do Rio Grande do Sul.

        Ambos os veículos pegaram fogo após a colisão, causando um grande incêndio e a interdição total da rodovia nos dois sentidos.

        Os veículos envolvidos foram uma carreta que transportava os botijões de gás e um caminhão bi-trem.

        Os caminhões ficaram completamente destruídos pelo fogo.

         Apesar da gravidade do acidente e do incêndio, os dois motoristas, por Providência Divina, conseguiram escapar tendo, todavia, o condutor do caminhão de gás sofrido ferimentos leves.

         A rodovia foi totalmente bloqueada para o trabalho das equipes de emergência e limpeza da pista, com longas filas de veículos se formando no local.

        Diante dos fatos, desta semana, o de outubro de 2024 e, das centenas de casos idênticos que devem ter acontecido no Rio Grande do Sul e no Brasil  dos quais não tomamos conhecimento,  não há como cidadão e como ser humano, que se  possa ficar calado.

        Volto, agora, a presença de meus leitores não com um texto emocionado mas, com uma pesquisa mais técnica que demonstra, na linha do tempo, a ações dos governantes que, consolidadas por conceitos equivocados e por interesses pessoais ou de grupos nos conduziram para o momento atual onde o Transporte Rodoviário utilizando grandes caminhões coloca em risco a vida dos trabalhadores pais de família honestos e honrados que os conduzem e causam danos mortais a condutores de outros caminhões e de veículos menores que trafegam pelas deficientes estradas de nosso pais…

BREVE HISTÓRICO DO PROCESSO

Benefícios Históricos do Sistema Ferroviário no Brasil

1.   Grande capacidade de carga

O sistema ferroviário sempre se destacou pela sua elevada capacidade de transporte, permitindo o deslocamento de grandes volumes de mercadorias — especialmente produtos agrícolas, minérios e insumos industriais — de forma contínua e eficiente. Uma única composição ferroviária podia transportar o equivalente a dezenas de caminhões, favorecendo a economia de escala e aumentando a competitividade nacional.

2.   Baixo custo operacional

O transporte ferroviário apresentava custos significativamente menores quando comparado ao transporte rodoviário.

Isso ocorria porque os trens consumiam menos combustível por tonelada transportada, exigiam menor manutenção proporcional e dependiam menos de grandes contingentes de condutores.

Assim, reduziam-se os custos logísticos e aumentava-se a margem de lucro das empresas, beneficiando também os consumidores finais.

3.   Menor risco de acidentes

Um dos pontos mais favoráveis do modal ferroviário era o baixo índice de acidentes.

Os trens operavam em trilhos exclusivos, sem interferência direta com outros veículos, o que minimizava colisões, capotamentos ou ocorrências fatais — problemas muito presentes nas estradas brasileiras.

A segurança era, portanto, uma vantagem tanto para a carga quanto para a integridade dos trabalhadores do setor.


 Declínio e Substituição pelo Transporte rodoviário

        O sistema ferroviário brasileiro começou a entrar em decadência a partir da década de 1950, intensificando-se entre as décadas de 1960 e 1980.

Esse processo coincidiu com:

  • A política nacional de desenvolvimento focada na indústria automobilística.
  • A priorização governamental por rodovias, estimulada inclusive por acordos internacionais e pela estratégia econômica da época.
  • A falta de investimentos na modernização e na expansão das ferrovias existentes.

        Como consequência, o transporte ferroviário foi sendo gradualmente desativado ou reduzido, enquanto o país passou a depender quase exclusivamente do transporte rodoviário.


Consequências da Substituição pelo Modal Rodoviário

A predominância dos caminhões no transporte de cargas trouxe impactos significativos:

1.   Altos custos logísticos
O transporte rodoviário tem custo muito superior ao ferroviário, principalmente devido ao consumo de combustível, manutenção constante dos veículos, pedágios e necessidade de mão de obra mais numerosa.

2.   Dependência de estradas em condições precárias
Boa parte das rodovias brasileiras sofre com:

o    pavimentação inadequada,

o    falta de duplicações,

o    ausência de manutenção,

o    buracos e trechos perigosos.

Isso aumenta o tempo de deslocamento, gera perdas econômicas e encarece ainda mais o transporte.

3.   Elevado número de acidentes

O Brasil registra milhares de acidentes rodoviários todos os anos, muitos deles envolvendo caminhões. Esses acidentes:

o    causam mortes,

o    destroem mercadorias,

o    interrompem o fluxo produtivo,

o    aumentam custos de seguro e transporte.


Conclusão

        A substituição das ferrovias pelo transporte rodoviário representou uma mudança estrutural importante, porém marcada por impactos econômicos e sociais negativos.

        O antigo sistema ferroviário oferecia alto volume de carga, baixo custo e grande segurança, enquanto a predominância rodoviária resultou em custos elevados, infraestrutura deficiente e índices preocupantes de acidentes.

        A história demonstra que a revitalização das ferrovias é não apenas desejável, mas essencial para um projeto de desenvolvimento sustentável e eficiente do país.

        Como este texto vai atingir, no máximo, dez a quinze pessoas eu fico esperando que, mesmo em numero  reduzido, pensemos neste grave problema que enfrentamos e fico pedindo, também,  que os nossos governantes- em um momento não muito longo de nossa vida nacional- sejam  iluminados por Deus e, pensem em uma solução que evite os acidentes e as mortes de motoristas de caminhões e veículos de menor porte que transitam por nossas precárias estradas construídas em  momentos de euforia nacional e que ,na linha do tempo, foram abandonadas por administradores irresponsáveis, desinteressados e incompetentes.

Este conteúdo foi produzido em parceria com colaborador do Portal Litoralmania. O Litoralmania revisa, edita e publica o material assegurando qualidade, apuração e transparência, mantendo seu compromisso com informações confiáveis e bem fundamentadas.

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