Tornado F3: ventos que ultrapassam 300 km/h
A formação de uma supercélula atmosférica, um dos tipos mais perigosos de tempestade existentes, foi a responsável pelo tornado que deixou ao menos seis mortos e mais de 400 feridos no Paraná na noite de sexta-feira (7).
A confirmação veio do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Estado (Simepar), que classificou o evento como um dos mais severos já registrados na região nos últimos anos.
O fenômeno extremo atingiu principalmente o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do estado, produzindo cenas de devastação em poucas dezenas de minutos. Casas foram arrancadas do chão, veículos foram arremessados a metros de distância e estruturas metálicas se retorceram com a força do vento.
O rastro de destruição no Paraná
De acordo com técnicos do Simepar, o tornado que se formou dentro da supercélula foi classificado como F3 na Escala Fujita, que vai até F5.
Nessa intensidade, os ventos variam de 250 a 330 km/h — velocidade suficiente para destruir residências de alvenaria, lançar detritos pesados a longas distâncias e causar danos estruturais severos.
A tempestade avançou por áreas das regiões oeste, sudoeste e centro-sul do Paraná, provocando quedas de energia, bloqueios de rodovias, colapso de edificações e mobilizando equipes de emergência durante toda a madrugada.
Em Rio Bonito do Iguaçu, município de cerca de 14 mil habitantes, bairros inteiros ficaram irreconhecíveis. Moradores relataram “clarões”, “ruído semelhante a um trem” e um “paredão negro girando sobre a cidade”.
Como nasce uma supercélula
Fenômeno raro, intenso e com enorme potencial destrutivo
O Simepar explica que supercélulas são sistemas convectivos extremamente organizados, formados em ambientes com forte instabilidade atmosférica e cisalhamento vertical de vento — quando há grande diferença de velocidade e direção dos ventos em diferentes alturas da troposfera.
Mesociclone: o coração da supercélula
A principal característica das supercélulas é o mesociclone, uma corrente ascendente de ar em rotação localizada dentro da nuvem, geralmente nos níveis médios da atmosfera. Essa rotação persistente transforma a tempestade em um motor autossustentável, capaz de se manter ativa por horas e percorrer grandes distâncias.
Diferente de tempestades comuns, que surgem e se desfazem rapidamente, uma supercélula pode avançar por centenas de quilômetros, mantendo sua força e gerando múltiplos fenômenos extremos no caminho.
Fenômenos associados às supercélulas
Não é só tornado: impactos podem ser múltiplos
Supercélulas têm potencial para provocar diversas consequências meteorológicas de grande impacto:
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Tornados, como o registrado no Paraná
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Granizo gigante, capaz de quebrar telhados e veículos
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Rajadas intensas de vento
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Downbursts ou microexplosões, que são fluxos de vento descendentes extremamente violentos
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Descargas elétricas intensas
Meteorologistas alertam que esses sistemas são considerados os mais perigosos do planeta, pois concentram múltiplos riscos em um único evento.
Resposta das autoridades e próximos passos
Equipes de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e voluntários continuam mobilizados na remoção de escombros, atendimento a feridos e ações de assistência humanitária. O governo estadual declarou que trabalha na avaliação dos prejuízos e na reconstrução das áreas mais afetadas.
Especialistas reforçam a importância de monitoramento contínuo, já que a combinação de calor, umidade e ventos intensos pode favorecer a formação de novas tempestades severas nos próximos dias.



















