Ação da Polícia Ambiental e da Furg resulta na soltura de 157 filhotes resgatados de esquema ilegal entre Rio Grande e Pelotas
Tartarugas tigre-d’água voltaram ao habitat natural no Litoral Sul do Rio Grande do Sul após uma das maiores apreensões de ovos da espécie já registradas na região.
A soltura de 157 filhotes ocorreu na tarde desta segunda-feira (19), na zona rural entre os municípios de Rio Grande e Pelotas, marcando um avanço concreto no combate ao tráfico de animais silvestres.
O que está acontecendo e por quê
A operação é resultado de uma investigação que desarticulou um esquema de manutenção ilegal de ovos de tartaruga para comercialização. Na última sexta-feira (16), uma ação integrada da Polícia Ambiental (Patram) apreendeu cerca de 10 mil ovos mantidos em canteiros artificiais, criados exclusivamente para venda clandestina.
Somente naquela manhã:
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Mais de 6 mil ovos foram encontrados na zona rural de Rio Grande
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Outros 3.500 ovos já haviam sido apreendidos no interior de Arroio Grande, no início do mês
O material foi encaminhado ao Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Furg (Cram-Furg), onde passou a ser monitorado.
Como foi definida a soltura dos filhotes das Tartarugas tigre-d’água
Dos cerca de 10 mil ovos resgatados:
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582 chegaram a eclodir
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157 filhotes atingiram condições seguras para retorno à natureza
O critério técnico decisivo
Segundo a Patram, a liberação só foi possível após a análise da chamada cicatriz do saco vitelino, localizada no plastrão (parte inferior do casco).
Essa cicatriz:
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Indica o ponto de absorção de nutrientes do ovo
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Fecha naturalmente com o desenvolvimento do filhote
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Serve como sinal de que o animal está apto à vida livre
A presença dessa marca fechada confirmou que as tartarugas já tinham condições de sobreviver no ambiente natural.
Logística e cuidados durante o transporte
O deslocamento até o local de soltura durou cerca de 40 minutos. Para reduzir o estresse dos animais, foram adotados protocolos específicos:
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Transporte em caixas com areia
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Duas paradas estratégicas para hidratação dos filhotes
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Monitoramento contínuo da equipe técnica
O ponto exato da soltura não foi divulgado para evitar riscos de novas capturas ilegais.
O que acontece agora com os ovos restantes
Os ovos que ainda não eclodiram permanecem sob os cuidados do Cram-Furg, onde seguem em processo de incubação e proteção.
Segundo a coordenadora do centro, Paula Canabarro, o trabalho continua:
“Seguiremos com os ovos aqui por mais um tempo, protegendo os recém-nascidos, para que assim que possível também possamos realizar a soltura deles.”
A expectativa é que novos filhotes possam ser devolvidos à natureza nas próximas semanas, conforme o desenvolvimento biológico permitir.
Impacto ambiental e alerta às autoridades
A apreensão reforça um problema recorrente no Sul do Estado: o tráfico de ovos e filhotes de répteis, que compromete o equilíbrio ambiental e reduz populações inteiras antes mesmo do nascimento.
As investigações seguem em andamento pela Brigada Militar e Polícia Civil, com foco em identificar os responsáveis pela criação ilegal e pela cadeia de comercialização.
Em resumo
Quantas tartarugas foram soltas?
157 filhotes da espécie tigre-d’água.
Por que o local da soltura não foi divulgado?
Para evitar novas capturas ilegais enquanto as investigações seguem.
O que acontece com os ovos restantes?
Eles permanecem sob cuidados técnicos até que os filhotes estejam aptos à soltura.



















