Julgamento de sogro e genro por assassinato do empresário mineiro Samuel Eberth de Melo, à época com 41 anos, foi confirmado pela Justiça do Rio Grande do Sul.
Os dois réus vão enfrentar o Tribunal do Júri pela acusação de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, porte ilegal e posse irregular de arma de fogo, conforme decisão proferida pelo juiz Rafael Gomes Cipriani Silva, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Santo Antônio da Patrulha, nesta terça-feira, 5 de agosto de 2025.
Segundo a sentença de pronúncia, há indícios consistentes de autoria e materialidade que sustentam a acusação formal.
O magistrado manteve todas as qualificadoras: motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e tentativa de assegurar a impunidade.
A decisão também reconhece o nexo entre o assassinato e a ocultação do cadáver, reforçado por provas técnicas e testemunhais reunidas durante a investigação.
Os dois acusados permanecem presos preventivamente e ainda não há data marcada para o julgamento.
As investigações revelaram um crime premeditado, com divisão de tarefas e ações coordenadas para dificultar a elucidação do caso.
Atraído para a morte e executado com crueldade
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o assassinato de Samuel teria sido motivado por conflitos envolvendo transações comerciais fraudulentas e pela intenção de encobrir outros crimes, como estelionato.
A vítima, um empresário do ramo de revenda de veículos em Minas Gerais, foi atraída ao Rio Grande do Sul com o pretexto de resolver pendências comerciais, mas acabou sendo executada com múltiplos tiros em uma propriedade localizada na zona rural de Santo Antônio da Patrulha.
Os disparos atingiram cabeça, tórax, abdômen e braço, indicando a brutalidade do crime.
Após o homicídio, o corpo foi ocultado em uma área de declive, coberto por vegetação e entulhos, dificultando sua localização.
Ele só foi encontrado oito dias depois, em 10 de junho de 2023, graças a uma denúncia anônima.
A identificação da vítima foi feita por exame papiloscópico.
Provas técnicas e planejamento evidenciado
Durante as diligências, a polícia encontrou vestígios de sangue em veículos, mensagens suspeitas em celulares e munições compatíveis com a arma do crime. Também foram apreendidos uma pistola calibre 380, carregadores, munições intactas e um simulacro de arma de fogo.
A apuração demonstrou que os acusados agiram com planejamento prévio, adquirindo ferramentas e materiais para a ocultação do corpo, evidenciando a tentativa de dificultar o esclarecimento do caso.
Processo reúne 14 testemunhas
O processo já ouviu 14 testemunhas, incluindo familiares da vítima, agentes da Polícia Civil e pessoas ligadas diretamente aos acusados.
A complexidade e a crueldade do crime aumentam a expectativa pelo julgamento, que será realizado por júri popular, com base nas provas reunidas ao longo da instrução processual.




















