Safra do camarão-rosa 2026: pescadores pressionam por liberação e temem perda do crustáceo nas lagoas do Litoral Norte
Safra do camarão-rosa 2026 entrou no centro das atenções no Litoral Norte do Rio Grande do Sul neste fim de semana.
Pescadores artesanais da Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí realizam um novo ato na ERS-030, em Imbé, para cobrar agilidade do governo federal na publicação da portaria que autoriza o início da pesca.
O receio é claro: se a liberação atrasar novamente, o camarão pode deixar as lagoas antes da abertura oficial, comprometendo toda a temporada.
Abertura da safra do camarão-rosa vira corrida contra o tempo
A safra do camarão-rosa 2026 é aguardada com expectativa e apreensão por pescadores de Imbé e Tramandaí, que relatam abundância do crustáceo em pontos estratégicos como a Lagoa do Armazém e a Lagoa das Custódias.
As condições ambientais são consideradas favoráveis, mas o tempo joga contra quem vive da pesca artesanal.
Na manhã deste sábado, pescadores bloqueaiam parcialmente o tráfego na ERS-030, junto à Ponte do Rio Camarão, para chamar a atenção das autoridades.
O trânsito até o fechamento desta matéria estava bloqueado, repetindo um cenário já visto em 2025, quando a categoria também precisou recorrer à manifestação pública para ser ouvida.
Medo se repete após frustração na safra de 2025
O temor atual tem base concreta. No ano passado, a liberação da pesca do camarão-rosa só ocorreu em 5 de fevereiro, após uma longa espera provocada por entraves burocráticos.
Embora o estudo de biometria tenha sido encaminhado aos órgãos competentes ainda no final de 2024, a autorização demorou mais de um mês.
Segundo pescadores, quando a pesca finalmente foi liberada, condições ambientais desfavoráveis afetaram as lagoas, resultando em uma safra considerada fraca.
“Quando saiu a liberação, o camarão já estava saindo das lagoas. A demora custou caro para todos nós”, relatou um pescador de Imbé.
O que dizem os estudos técnicos sobre o camarão-rosa em 2026
Diferentemente de anos anteriores, o estudo de biometria do camarão não foi realizado pelo Ceclimar, mas sim pela Secretaria de Pesca de Imbé, em parceria direta com pescadores artesanais de Imbé e Tramandaí.
Como foi feita a biometria do camarão
De acordo com a Secretaria de Pesca, o levantamento técnico incluiu:
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Três coletas de camarão
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Uso de rede tipo aviãozinho e tarrafa
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Pontos monitorados: Lagoa do Armazém, Lagoa de Tramandaí e Ponte do Camarão
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Coletas realizadas com licença ambiental Sisbio
Os resultados indicaram crescimento progressivo do camarão, com registros de exemplares iguais ou superiores a 9 centímetros em alguns pontos do estuário. Esse é um dado-chave para a liberação da pesca.
➡️ Regra técnica: pelo menos 60% das amostras precisam ter mais de 9 cm para que a pesca seja autorizada.
Os relatórios foram encaminhados a Brasília no dia 8 de janeiro, dentro do prazo considerado ideal pelos pescadores.
Onde está o entrave para liberar a pesca do camarão?
Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a minuta da portaria que libera a safra do camarão-rosa 2026 está em fase de análise técnica e jurídica. Após essa etapa, o documento ainda precisa:
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Seguir para o Ministério do Meio Ambiente
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Passar por nova análise
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Receber assinaturas
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Ser oficialmente publicado
A previsão oficial é que a portaria seja publicada na última semana de janeiro, mas os pescadores temem que qualquer atraso adicional seja fatal para a safra.
Pressão política entra em cena para acelerar a liberação
Diante da urgência, lideranças da pesca artesanal buscaram apoio político. Nesta semana, pescadores se reuniram com o prefeito de Tramandaí, Juarez Marques da Silva, pedindo intervenção direta.
O prefeito acionou o deputado federal Alceu Moreira (MDB), que entrou em contato com o ministro da Pesca, André de Paula. Segundo informações repassadas à categoria, o ministro afirmou que irá se empenhar pessoalmente para agilizar a publicação da portaria.
Impacto direto na economia local e na sobrevivência dos pescadores
A safra do camarão-rosa não é apenas uma atividade econômica: ela sustenta centenas de famílias no Litoral Norte gaúcho. Qualquer atraso compromete renda, abastecimento local e a cadeia produtiva ligada à pesca artesanal.
Além disso, há um risco jurídico relevante.
Atenção: pesca antes da liberação é crime ambiental
A captura do camarão antes da publicação oficial da portaria é considerada crime ambiental, com pena que pode variar de 1 a 3 anos de detenção, além de multas e apreensão de equipamentos.
Por isso, mesmo diante da abundância do camarão nas lagoas, os pescadores seguem aguardando a liberação legal.
O que esperar para os próximos dias
Se a previsão do Ministério da Pesca se confirmar, a safra do camarão-rosa 2026 pode ser liberada ainda em janeiro, evitando a repetição do prejuízo registrado em 2025.
Caso contrário, o risco de migração do camarão para fora das lagoas aumenta significativamente.
A mobilização dos pescadores indica que o tema seguirá no centro do debate regional nos próximos dias.
🧭 Em resumo: perguntas e respostas rápidas
Quando deve abrir a safra do camarão-rosa 2026?
A previsão oficial é para a última semana de janeiro, após publicação da portaria federal.
Por que os pescadores estão preocupados com o atraso?
Porque o camarão pode deixar as lagoas antes da liberação, reduzindo drasticamente a safra.
É permitido pescar antes da autorização?
Não. A pesca antes da portaria é crime ambiental, com pena de 1 a 3 anos de detenção.



















