Pessoas com deficiência no Rio Grande do Sul são tema central do novo volume da série Cadernos RS, lançado nesta sexta-feira (11), com base nos dados do Censo 2022, coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A publicação apresenta um retrato abrangente das condições de vida dessa população, assim como das pessoas no espectro autista.
Governo do RS
O estudo, elaborado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), ligado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), revela dados que escancaram as desigualdades sociais enfrentadas por esses grupos no estado.
Pessoas com deficiência no Rio Grande do Sul são 7,2% da população
O levantamento aponta que o Rio Grande do Sul contabiliza 772.077 pessoas com deficiência, representando 7,2% dos habitantes — número próximo à média nacional, de 7,3%.
A maior parte dessas pessoas é branca (76,8%), seguida por pardas (15,4%) e pretas (7,4%).
A presença da deficiência aumenta com o avanço da idade.
A escolaridade é um dos pontos mais críticos: 12,8% das pessoas com deficiência com 15 anos ou mais são analfabetas, índice mais de seis vezes maior do que o observado entre quem não tem deficiência.
No ensino superior, porém, há um recorte importante: pessoas brancas com deficiência apresentam 8,2% de graduação concluída, e pessoas amarelas, 12,9%, ambas acima da média estadual.
Censo registra mais de 124 mil pessoas no espectro autista no estado
Além dos dados sobre deficiência, o estudo revela que 124.231 pessoas foram diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA) no Rio Grande do Sul em 2022, representando 1,1% da população estadual — taxa levemente inferior à média nacional, de 1,2%.
A prevalência do autismo foi maior entre homens (1,4%) do que entre mulheres (0,9%).
Entre os autistas, 78% eram brancos, 15% pardos, 6,9% pretos, 0,3% indígenas e 0,1% amarelos.
A taxa total de escolarização de pessoas com autismo foi de 34,4%, maior do que a registrada para pessoas sem diagnóstico (22,2%).
No entanto, a análise por faixas etárias revela queda preocupante na frequência escolar dos autistas entre 15 e 17 anos (85,9%) e entre 18 e 24 anos (30,2%), sendo ambas inferiores aos índices de pessoas não autistas nessas idades.
Inclusão escolar ainda é desigual entre autistas no estado
O Censo 2022 mostra desigualdades significativas na escolarização de pessoas autistas conforme raça e idade.
Autistas brancos e pardos registraram as maiores taxas de escolarização (34% e 39,1%, respectivamente), enquanto pretos (28,8%), indígenas (24,8%) e amarelos (23,7%) apresentaram os menores índices.
Entre crianças de 6 a 14 anos, a frequência escolar é alta entre todos os grupos.
No entanto, entre 15 e 17 anos, as disparidades aumentam: apenas 66,4% dos jovens pretos e 21,4% dos indígenas seguem frequentando a escola, indicando barreiras relevantes à permanência no sistema educacional.
Saneamento básico e moradia
No que se refere à infraestrutura das moradias, os dados do Censo apontam que 99,5% dos domicílios com pessoas com deficiência no RS possuem banheiro de uso exclusivo — número praticamente igual ao das residências sem pessoas com deficiência (99,6%).
O acesso à água potável via rede geral foi identificado em 85,1% das casas com pessoas com deficiência, ante 86,7% das residências sem esse perfil.
Já nos lares com pessoas autistas, o percentual é maior: 87,8%.
Sobre o destino do lixo, 94,5% dos domicílios com pessoas com deficiência contam com coleta regular.
Os demais adotam práticas alternativas e inadequadas, como queimar (4,3%), enterrar (0,7%) ou descartar em terrenos públicos (0,1%).



















