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Reforma Tributária preocupa prefeituras e mobiliza gestores no Litoral Norte

Entidade reuniu prefeitos em Osório para debater perdas e oportunidades com o novo imposto que vai substituir ICMS e ISS Reforma Tributária já deixou de ser um debate futuro e…
Reforma Tributária
Foto: Guilherme Pedrotti/Famurs

Entidade reuniu prefeitos em Osório para debater perdas e oportunidades com o novo imposto que vai substituir ICMS e ISS

Reforma Tributária já deixou de ser um debate futuro e passou a afetar diretamente a arrecadação e a gestão das prefeituras.

Em Osório, no Litoral Norte, a Famurs mobilizou gestores municipais para discutir como as novas regras alteram o caixa das cidades e por que o Rio Grande do Sul precisa garantir representação no Comitê Gestor do IBS, imposto que substituirá ICMS e ISS em todo o país.

O que está acontecendo com a Reforma Tributária nos municípios

A quarta edição do Famurs em Movimento, realizada nesta quinta-feira (15), reuniu prefeitos, vices e equipes técnicas de 35 municípios do Litoral Norte, Serra e Vale do Paranhana.

O foco do encontro foi claro:
entender como a Reforma Tributária muda a lógica de arrecadação municipal e preparar as prefeituras para um cenário mais técnico, digital e centralizado.

Por que isso preocupa os municípios

Com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), estados e municípios deixam de arrecadar diretamente ICMS e ISS. A gestão desses recursos passará a ser feita por um Comitê Gestor nacional, que definirá critérios de distribuição.

Isso significa que decisões tomadas fora do município terão impacto direto sobre:

  • Orçamento anual das prefeituras

  • Capacidade de investimento em saúde, educação e infraestrutura

  • Planejamento financeiro de médio e longo prazo


Comitê Gestor do IBS: por que a vaga do RS é estratégica

Um dos pontos centrais debatidos em Osório foi a formação do Comitê Gestor Provisório do IBS, previsto na Lei Complementar nº 227/26.

Como será formado o Comitê

  • 54 cadeiras no total

    • 27 representantes dos estados

    • 27 representantes dos municípios

Entre os municípios:

  • 14 vagas indicadas pela CNM

  • 13 vagas indicadas pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP)

A articulação da Famurs

A Famurs definiu como prioridade garantir ao menos uma vaga para representar os 497 municípios gaúchos.

Segundo a presidente da entidade, Adriane Perin de Oliveira, o RS precisa estar onde as regras serão definidas:

“Temos capacidade técnica e vontade política para representar nossos municípios. Vamos reivindicar esse espaço porque o impacto será direto no dia a dia das prefeituras.”

A proposta ainda será avaliada pelas 29 associações regionais e, depois, encaminhada oficialmente à CNM.


Impacto prático da Reforma Tributária no dia a dia das prefeituras

Além da disputa por representação, o encontro escancarou um desafio maior:
as prefeituras terão que processar um volume muito maior de dados e informações fiscais.

O que muda na prática

  • Mais exigência de capacitação técnica

  • Necessidade de uso intensivo de tecnologia

  • Revisão de processos internos de arrecadação e controle

  • Dependência maior de decisões nacionais sobre tributos locais

A Famurs anunciou que atuará como parceira permanente nesse processo de adaptação.


Pautas-bombas ampliam pressão sobre os cofres municipais

Outro ponto de alerta levantado no evento foram as chamadas pautas-bombas, projetos já aprovados ou em tramitação no Congresso que podem gerar impacto financeiro imediato.

Principais propostas em debate

  • Lei Complementar 226/2026
    Autoriza pagamentos retroativos de anuênios, triênios e quinquênios a servidores de entes que decretaram calamidade na pandemia.

  • PLP 185/2024
    Prevê aposentadoria integral e paritária para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

  • PL 1559/2021
    Cria piso salarial nacional para farmacêuticos.

  • PL 2952/2025
    Estabelece adicional de insalubridade para profissionais da educação.

A Famurs deve convocar uma assembleia geral para alinhar uma posição única dos 497 municípios gaúchos.


O que muda a partir de agora

A Reforma Tributária inaugura um novo ciclo para as prefeituras:

  • Menos autonomia direta sobre tributos

  • Mais dependência de regras nacionais

  • Maior necessidade de articulação política

Eventos como o realizado em Osório mostram que o debate deixou de ser teórico e passou a ser sobre sobrevivência financeira e capacidade de gestão.


Em resumo

O que é o IBS?
É o imposto que substituirá ICMS e ISS, com arrecadação centralizada e distribuição definida por um comitê nacional.

Por que a vaga no Comitê Gestor é tão importante?
Porque é ali que serão definidas as regras que impactam diretamente a receita das prefeituras.

Quando os efeitos começam a ser sentidos?
As regras de transição já estão em vigor e os impactos financeiros começam nos próximos anos.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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