Presa foragida
Acusada de causar a morte de duas pessoas após a aplicação clandestina de silicone industrial, a mulher que estava há mais de um ano em fuga foi finalmente capturada em Belém, no Pará.
A prisão, considerada estratégica para impedir novas vítimas, ocorreu em uma ação conjunta entre o Ministério Público, inteligência policial e forças de segurança estaduais, destacando a gravidade e a repercussão social do caso que chocou o Rio Grande do Sul, especialmente o Litoral Norte.
A mulher, denunciada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e ré em processos por homicídio doloso em Porto Alegre e Capão da Canoa, era considerada uma ameaça pela possibilidade de repetir os mesmos procedimentos clandestinos que já haviam resultado em mortes anteriores.
A operação que resultou em sua captura faz parte do Projeto Cumpra-se, programa voltado à prisão de foragidos envolvidos em crimes graves e com forte impacto social.
✅ Operação de inteligência rastreou passos da foragida até o Pará
A ofensiva que terminou com a prisão começou após o Centro de Apoio Operacional do Júri (CAOJÚRI) acionar a Unidade Operacional do GAECO, que passou a monitorar de forma contínua os deslocamentos da acusada.
Informações cruzadas entre o Núcleo de Inteligência (NIMP), o GAECO, a Agência Regional de Inteligência da Brigada Militar (CRPO Delta do Jacuí) e o Centro de Inteligência do Pará foram fundamentais para identificar a nova localização da investigada.
De acordo com o promotor de Justiça André Dal Molin, coordenador do GAECO/MPRS, a cooperação interinstitucional foi decisiva:
“A integração entre os setores de inteligência mostrou, mais uma vez, a importância da atuação conjunta para enfrentar crimes graves e de grande comoção social.”
Já o promotor Marcelo Tubino, coordenador do CAOJÚRI, reforçou que a captura evita que novos crimes sejam cometidos:
“A prisão impede a reiteração criminosa e viabiliza que a ré responda judicialmente pelas duas mortes que constam nos processos.”
A mulher deve ser transferida nas próximas semanas para o Rio Grande do Sul, onde enfrentará as acusações de homicídio doloso pelas duas mortes já denunciadas.
✅ Projeto Cumpra-se reforça cerco a criminosos que fogem do RS
A prisão integra o Projeto Cumpra-se, uma iniciativa do GAECO que foca em:
-
capturar foragidos envolvidos em crimes de grande impacto social;
-
localizar investigados que romperam tornozeleiras eletrônicas;
-
dar suporte às Promotorias de Justiça e às forças de segurança;
-
apoiar investigações da 6ª Vara Criminal de Porto Alegre envolvendo vítimas crianças e adolescentes.
O programa tem ampliado o número de capturas de criminosos que tentam escapar do território gaúcho — muitos, como no caso da acusada, migrando para outras regiões do país.
✅ O caso no Litoral Norte: morte de Karoline e fuga da suspeita
Em março de 2025, uma mulher trans, Karoline Vinha Velasques, de 56 anos, morreu após receber aplicação de silicone industrial nos glúteos dentro de um apartamento em Capão da Canoa, no Litoral Norte do RS.
Karoline teria buscado a suspeita em Porto Alegre e levado até o Litoral para realizar o procedimento — totalmente ilegal e sem qualquer condição sanitária.
Uma amiga que acompanhava a vítima relatou que Karoline passou mal poucos minutos após a aplicação.
Antes da chegada do socorro, a suspeita recolheu o material utilizado e fugiu do local.
A Polícia Civil tratou o caso como homicídio doloso, pois a suspeita sabia dos riscos extremos do material utilizado e já havia provocado mortes anteriores em 2018.
✅ Histórico de vítimas e práticas clandestinas
A presa já havia sido responsabilizada pela morte de outra pessoa em 2018, também no Rio Grande do Sul. Em todos os episódios, a prática era a mesma:
-
uso de silicone industrial, produto proibido para fins estéticos;
-
aplicação clandestina sem habilitação médica;
-
atendimento improvisado em residências ou apartamentos;
-
ausência total de condições de higiene, segurança e acompanhamento médico.
O procedimento, além de ilegal, pode causar:
-
embolia pulmonar;
-
infecção generalizada;
-
parada cardíaca;
-
necrose de tecidos;
-
risco imediato de morte.



















