🌊 Praia do Cassino
Praia do Cassino — Um trecho de dois quilômetros da maior praia do mundo foi totalmente interditado após uma espessa faixa de lama avançar sobre a orla e transformar o litoral em um cenário incomum.
A lama, percebida inicialmente na sexta-feira (22), se espalhou entre a Rua Rio de Janeiro e o canal de drenagem Farroupilha, no Litoral Sul, deixando o solo extremamente escorregadio e impedindo qualquer circulação de pedestres ou veículos.
A Secretaria de Município do Cassino (SMC) instalou marachas — pequenos morros de areia — para isolar a área contaminada e garantir a segurança dos visitantes.
Entre a faixa seca e o mar, são aproximadamente 150 metros tomados pelo material, impossibilitando até mesmo o banho no local.
Placas de sinalização estão sendo instaladas para reforçar o bloqueio.
Origem da lama: especialistas apontam conexão com Lagoa dos Patos e Rio da Prata

A presença da lama gerou curiosidade e preocupação entre banhistas e moradores.
Segundo a professora Elisa Fernandes, do Instituto de Oceanografia da FURG, o fenômeno tem explicações naturais e já observadas anteriormente.
Conforme a pesquisadora, a lama pode vir de duas fontes principais:
1. Vazão da Lagoa dos Patos
A água que escoa pela barra de Rio Grande possui baixa movimentação de correntes, o que facilita a formação de um banco de lama próximo ao litoral.
Esse banco teria sido alimentado pela grande enchente do ano passado, acumulando material que agora retorna à orla em períodos de vento e ressaca intensos.
2. Influência do Rio da Prata, no Uruguai
As descargas do rio também podem transportar sedimentos de longa distância, alcançando a região costeira do Cassino em condições oceânicas específicas desta época do ano.
Ressaca, vento forte e fenômenos sazonais contribuíram para o avanço da lama
Além da origem natural dos sedimentos, fatores climáticos recentes foram determinantes.
Os ventos intensos e a forte ressaca registrada na última semana atuaram como gatilho, deslocando o banco de lama acumulado para mais próximo da costa.
A combinação de condições meteorológicas e hidrodinâmicas específicas transformou o trecho da Praia do Cassino, criando um ambiente de risco e exigindo intervenção imediata do poder público.
Dragagem não é a responsável, afirma Portos RS
Mesmo que parte da população associe o fenômeno às dragagens realizadas no canal de acesso ao Porto de Rio Grande, a instituição nega qualquer relação.
Em nota oficial, Portos RS afirmou que:
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O aparecimento da lama está diretamente ligado à dinâmica natural da região.
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Situações similares ocorreram até mesmo em períodos sem dragagem, como no ano passado.
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A alteração na vazão da Lagoa dos Patos — intensificada pelas chuvas e pela enchente histórica de 2024 — é o fator decisivo para o fluxo de sedimentos.
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Todo material dragado é descartado a cerca de 15 km da saída dos Molhes da Barra, em área regulamentada pelo Ibama.
Interdição deve permanecer até análise técnica e estabilização natural da área
A SMC acompanha o comportamento da lama e realizará novas avaliações ao longo da semana.
Por enquanto, a orientação é clara: ninguém deve acessar o trecho interditado, seja para caminhadas, banho ou práticas esportivas.



















