Ponte que ligará 2 cidades do Litoral
A ponte entre Rio Grande e São José do Norte, aguardada por quase cinco décadas, enfim avança para uma etapa decisiva.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) oficializou, nesta segunda-feira (24), a assinatura do contrato com a empresa catarinense Nova Engenharia, responsável pela elaboração do projeto da tão esperada travessia a seco que conectará os dois municípios do Litoral Sul.
Com investimento de R$ 7.594.348,78, o documento marca o desfecho de um processo licitatório concluído em maio e pavimenta o início de um ciclo histórico para a região.
A ordem de serviço, segundo o Dnit, deve ser assinada na primeira quinzena de dezembro, em uma cerimônia oficial no município de Rio Grande.
A partir da liberação da ordem, a Nova Engenharia terá prazo de dois anos para finalizar o projeto executivo da obra — passo indispensável para que a construção da ponte seja lançada.
Uma demanda de cinco décadas que beneficia milhares de moradores
A travessia entre Rio Grande e São José do Norte sempre foi considerada um gargalo logístico e social. Atualmente, cerca de 4 mil pessoas realizam o deslocamento diário entre as cidades por meio de lanchas.
Além disso, cerca de 500 veículos dependem das balsas para cruzar o canal que liga os municípios.
A ponte, portanto, é vista como uma obra estruturante capaz de transformar a rotina de trabalhadores, estudantes, comerciantes e famílias inteiras que dependem do trajeto marítimo.
Para Jair Rizzo, coordenador da Comissão Regional Pró-Ponte, o momento é histórico:
“A cada etapa que vencemos, vivenciamos uma alegria enorme. São quase 50 anos de luta por esse projeto fundamental. Agora aguardamos que a ordem de início seja assinada aqui em Rio Grande”, afirma.
A inclusão do projeto no Novo PAC, em 2023, garantiu um aporte de R$ 10,3 milhões, permitindo que os estudos avançassem e que o processo chegasse ao estágio atual.
Quatro alternativas estudadas para definir o melhor traçado
Um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), concluído em abril, apresentou quatro alternativas para a execução da obra. Todas consideram uma extensão aproximada de 4,5 quilômetros, com diferentes possibilidades de traçado e modelos estruturais.
➡ Alternativa 1 – Ponte fixa mais tradicional
Propõe a construção de uma ponte conectando a Avenida Honório Bicalho, em Rio Grande, ao Arroio do Laracha, em São José do Norte.
➡ Alternativa 2 – Duas pontes interligando a Ilha dos Marinheiros
Inclui duas estruturas:
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uma ligação entre a Praia do Retiro (São José do Norte) e a Ilha dos Marinheiros;
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outra conectando a ilha à Vila da Quinta (Rio Grande).
➡ Alternativa 3 – Ponte móvel
Sugere uma ponte móvel entre o Terminal de Contêineres de Rio Grande e a 5ª Secção da Barra, em São José do Norte — modelo que poderia permitir a passagem de embarcações maiores.
➡ Alternativa 4 – Túnel submerso (descartado)
A opção previa um túnel submerso no mesmo trecho da alternativa 3, mas o Dnit descartou essa possibilidade devido às condições geológicas e à alta concentração de sedimentos na Lagoa dos Patos.
O que muda para o futuro do Litoral Sul
Com o avanço do projeto, cresce a expectativa de que a ponte impulsione o desenvolvimento regional, facilite o escoamento de produção agrícola e industrial, fortaleça o turismo e reduza drasticamente o tempo de deslocamento entre as duas cidades.
A obra promete integrar de forma definitiva os municípios, reduzir custos logísticos e gerar novas oportunidades econômicas, especialmente para moradores que dependem da travessia diária para trabalhar ou estudar.
Com a assinatura do contrato, o Litoral Sul dá um passo firme rumo a uma transformação aguardada por gerações.



















