O delegado Roger lembra que em 1982, o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, ambos americanos, publicaram na revista Atlantic Monthly um estudo em que, pela primeira vez, estabelecia-se uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade.
Naquele estudo, cujo título era The Police and Neiborghood Safety (A Polícia e a Segurança da Comunidade), os autores usaram a imagem de janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se numa comunidade, causando a sua decadência e a consequente queda da qualidade de vida.
Kelling e Wilson sustentavam que, se uma janela de uma fábrica ou de um escritório fosse quebrada e não fosse imediatamente consertada, as pessoas que por ali passassem concluiriam que ninguém se importava com isso e que, naquela localidade, não havia autoridade responsável pela manutenção da ordem.
No caso em questão, as investigações policiais levaram à identificação de um indivíduo com as características físicas apontadas pela vítima. Levado à Delegacia, foi submetido a reconhecimento pessoal cujo resultado foi positivo. Solicitada a prisão preventiva do autor, foi deferida no mesmo dia pelo Poder Judiciário local. A vítima havia relatado que o autor, munido com arma branca, rendeu-lhe nas proximidades do Ginásio da Lagoa do Violão, no Município de Torres, subtraindo-lhe seu celular e sua carteira.
A Polícia Civil aproveita a oportunidade para alertar aos moradores e aos veranistas sobre a inconveniência de transitarem desacompanhados no referido local à noite, já que há pouca iluminação e aquele campo restrito é ponto de pernoite de andarilhos diversos os quais se aproveitam do fato de que o Ginásio mencionado encontra-se abandonado.
Dessa forma, nos arredores de prédios e outros terrenos públicos depredados e abandonados, os marginais acabam sentindo-se motivados a firmarem ali seu campo de atuação ilícita.



















