Nesta sexta-feira passada- 12 de setembro- meus netos não tiveram aula porque o dia foi destinado para a entrega de boletins.
Me surpreendi, quando vi o Davi, meu neto mais novo, quando eram 12:30 dirigir-se para o carro do pai, como faz todos os dias, para a ir à escola.
Quando cheguei mais perto dele, vi que não levava sua mochila com livros mas ,na mão esquerda tinha um Caniço, com linha e anzol e uma pequena caixa segura, por uma alça, na mão direita.
Perguntei-lhe para que eram aqueles apetrechos e, com um grande sorriso, ele me disse: Vou pescar com meus amigos num lago, do condomínio fechado onde mora um deles.
Abriu a caixa e mostrou-me ums cinco ou seis anzóis pequenos e grandes e, em um saco plástico com um pouco de terra, uma grande quantidade de minhocas para serem utilizadas como iscas.
Me deu um grande abraço e, enquanto o seu pai arrumava um lugar para o caniço, ele abriu a porta do carro entrou e esperou o início da viagem para a sua aventura, de uma tarde de sexta-feira.
Quando o carro partiu me foi permitido ver a sua alegria, conversando com meu filho.
Fechei o portão e me foi impossível evitar uma profunda reflexão, cheia de saudade, acompanhada por algumas lágrimas, pelas lembranças de minhas pescarias no meu tempo de contínuo do Banco da Provincia em Rosario do Sul de 1964 até novembro de 1970, quando deixei a fronteira, o Provincia, os meus amigos e as pescarias de final de semana.
Nas sextas-feiras, já iniciávamos o dia com uma enorme euforia pois, fosse inverno ou verão, depois que encerrava o expediente nos encaminhávamos, em velhos jeeps willis, em carros DKW ou velhos Opalas, para a nossa diversão de final de fim de semana que durava a noite de sexta, o dia e a noite de sábado e a manhã de domingo quando, após limparmos os peixes, os repartíamos entre os nós, desmanchámos nossos acampamentos e voltávamos à Rosário do Sul, para almoçarmos com a familia que nos esperava para fritar ou assar o peixes que, sempre, trazíamos.
A comitiva do Banco da Provincia, era composta pelo Jari Lopes Acosta, pelo Soter Flores Arigony, pelo Auberi Soutos dos Santos e por mim.
Da turma do Bar do Osvaldo eram parceiros, sempre, o Roberto Fonseca, o José Antonio Trindade, o Delíbio Fontoura Lopes, o Noé Garrão, o Beto Barreto e, iam algumas vezes, quando tinham tempo, o João Barbeiro e o Beto Treme Terra.
Os pesqueiros aos quais nos dirigíamos eram os Açudes da Taipa e das Estâncias da Fortaleza e do Curral de Pedra.
Uma vez, o Soter Arigony, conseguiu, licença, com um Oficial do Exército, para que fossemos fazer uma pescaria em um açude da Coudelaria do Saicã, onde ninguém podia pescar porque era área de Segurança Nacional.
O Oficial, ao permitir nossa incursão por aquela reserva preservada, nos advertiu que deveríamos pescar, somente, o necessário e que, ao retornarmos, um oficial da Coudelaria iria revistar nossas bagagens para ver se não havíamos cometido excesso.
Chegamos lá na sexta feira, quase à noite e antes de qualquer providencia, em montar o acampamento, largamos duas redes feiticeiras da margem do açude em direção ao centro.
Íamos no barco, puxando as redes, eu e o Delibio Fontoura Lopes.
Segurando na outra ponta estavam, o Noé Garrão e o Jari Acosta.
Não tínhamos acabado de estender a segunda rede e começou a bater peixe, preso, nas armadilhas infalíveis daquele tipo de malha.
O Jari Acosta que era muito responsável e cuidadoso gritou para mim e para o Delibio: Retornem com o barco e tragam a rede de volta.
A pescaria acabou!
Ao retornarmos para a margem a rede formou um semicírculo e levou consigo, além dos que já estavam malhados, todos os peixes que, naquela área, se encontravam.
Quando retiramos a redes e as estendemos na grama vimos em grande quantidade e tamanho, dourados, grumatãs, traíras, jundiás e cascudos.
O Jari mandou que ficássemos com seis unidades variadas, para cada um, e soltássemos o excedente na água.
E foi o que fizemos de forma que o Oficial, quando fosse nos revistar, encontrasse tudo normal.
Pescaria feita, arrumamos as barracas, e fomos tomar Caipirinha enquanto fazíamos a janta-arroz carreteiro com charque de capincho – que foi acompanhada por cerveja Norteña- vinda de Rivera- bem gelada.
Nessa noite me lembro que eu, por ser PTB de marca maior briguei, a socos, dentro da barraca, com Soter Arigony que defendia ações da Revolução de 64.
Na segunda-feira ao começar o expediente do Banco da Provincia, nos cumprimentamos e decidimos fazer as pazes.
Relatei estes fatos que compartilho com meus sete ou oito leitores porque fui tomado de grande felicidade pelo fato de meu neto, mais novo, gostar de pescaria mesmo que seja em lagos artificiais de modernos e elitizados condomínios fechados.
Com certeza, igual ao seu avô, no futuro ele terá histórias para contar…



















