A duplicação da BR-290, um dos projetos de infraestrutura mais esperados do Rio Grande do Sul, está ameaçada de ser interrompida novamente.
Com apenas R$ 15 milhões disponíveis atualmente, o valor é insuficiente para manter o ritmo dos trabalhos entre Butiá e Pantano Grande.
Para que mais 7 quilômetros duplicados sejam entregues em 2025, seriam necessários ao menos R$ 60 milhões em repasses adicionais do governo federal.
Progresso lento e dependente de novos aportes: apenas 14 dos 56 quilômetros estão em uso
Dos 56 quilômetros em execução no trecho entre Minas do Leão e Pantano Grande, somente 14 estão liberados para tráfego.
Caso os recursos não falhem, mais 35 quilômetros poderão ser entregues no próximo ano. No entanto, a duplicação completa dos 115 quilômetros da rodovia ainda exige um investimento total estimado em R$ 800 milhões.
A obra teve início em 2014, com prazo de conclusão previsto para 2017, ao custo de R$ 583,55 milhões — número já superado pela nova estimativa.
Lote 2 segue indefinido após rescisão contratual com consórcio de empresas
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) rescindiu o contrato do lote 2, que abrange 30 quilômetros entre Arroio dos Ratos e Butiá.
O serviço era responsabilidade do consórcio formado pelas empresas Toniolo Busnello, EC Brasil e Etel. A segunda colocada na licitação, a Trier, foi chamada para assumir, mas o consórcio original recorreu da decisão, e o processo segue em análise dentro do Dnit.
Obra de duplicação
No trecho entre Eldorado do Sul e Arroio dos Ratos, correspondente ao lote 1, as construtoras responsáveis desistiram do contrato.
O Dnit ainda avalia se irá lançar nova licitação ou convidar as empresas remanescentes.
Além disso, o governo federal precisa resolver a questão da remoção de famílias indígenas que vivem em uma área de 300 hectares, necessária para o avanço das obras.
A expectativa mais otimista projeta início das obras apenas no segundo semestre de 2026, com conclusão em 2029, após 24 meses de trabalhos ininterruptos.
Lula prometeu entrega em 2026
Durante visita ao Rio Grande do Sul em agosto de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu a entregar a duplicação da BR-290 até o fim de seu mandato, em dezembro de 2026.
Entretanto, diante da escassez de verbas, entraves ambientais e atrasos nos processos administrativos, especialistas e técnicos consideram a meta praticamente impossível de ser cumprida dentro do cronograma anunciado.
Concessão e pedágios: leilão está previsto para 2025, mas edital ainda não foi publicado
Paralelamente à duplicação, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) corre contra o tempo para preparar o leilão de concessão da BR-290, juntamente com a BR-116, BR-392 e BR-158.
O plano é implementar novos pedágios já em 2025.
O projeto original, idealizado ainda no governo Bolsonaro em 2020, previa investimento de R$ 4,4 bilhões em 30 anos e a instalação de 13 praças de pedágio, com tarifas de até R$ 16,15 por 100 quilômetros em pistas duplas.
Free flow muda modelo de cobrança, mas detalhes ainda não foram divulgados
Com a adoção do sistema free flow, a ANTT pretende lançar o edital já prevendo a instalação de pórticos eletrônicos para cobrança automática.
No entanto, o número de pontos de cobrança e os valores atualizados ainda não foram definidos.
O futuro da BR-290, portanto, depende não apenas da conclusão das obras físicas, mas também de decisões estruturais e políticas relacionadas à concessão da rodovia.


















