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O que é Ansiedade? – Dr. Sander Fridman

O que é Ansiedade? * Ansiedade é o nome dado a alguns sintomas físicos e psiquiátricos. Mas também a um conjunto de sofrimentos psiquiátricos diferentes. Nem só doenças ansiosas causam…
Foto: Dr. Sander Fridman é Doutor em Psiquiatria pelo IPUB/UFRJ. Atende Neuropsiquiatria, Psicanálise Cognitivista, Transtornos Sexuais e Relações Conjugais.

O que é Ansiedade? *

Ansiedade é o nome dado a alguns sintomas físicos e psiquiátricos. Mas também a um conjunto de sofrimentos psiquiátricos diferentes. Nem só doenças ansiosas causam sintomas típicos da ansiedade. Nem só pessoas doentes sofrem com ansiedade!

Normalmente, o contato com uma pessoa triste, nos deixa tristes, e entendemos assim a tristeza dela. O contato com uma pessoa alegre, nos deixa alegres, e assim entendemos a alegria delas. Mas nem sempre que sentimos ansiedade no contato com um doente, isto traduzirá a verdadeira condição emocional do paciente.

Ansiedade designa comumente o medo exagerado de fatos banais, como insetos, elevador, lugares altos, falar com estranhos, discursar, sujar-se, contaminar-se, não ter fechado bem a porta, multidões, lugares fechados ou muito abertos, decepcionar, desempenho social, sexual, de vir a sofrer da alguma doença (câncer, aids), vir a passar mal, perder o controle sobre o bom funcionamento do próprio corpo, ou sobre o comportamento de pessoas, de que algo de muito ruim possa acontecer consigo ou com outra pessoa, por sua própria culpa – de modo concreto, lógico, ou mesmo místico, imaginário (“se eu não contar de 7 em 7, aquilo que mais temo acontecerá; mas será que eu contei direito?…”; ou “se eu não eliminar totalmente os germes das minhas mãos, poderei causar uma morte. Mas será que eu lavei o suficiente?…”)

Podem ocorrer quando olha de um lugar alto, quando se sentir exposto diante de estranhos – ou diante de conhecidos! – multidões, lugares fechados (ônibus, cinema, quarto sem janelas, etc), ou, ao contrário, um lugar aberto e com vista muito ampla; ou lugares com cheiros fortes; usw.

Mas também sintomas como palpitações, falta de ar, tontura, boca seca, gaguejando, incoordenação, esquecimentos – os “brancos” – confusão, formigamento nos lábios, nos dedos, paralisias, incoordenação, náusea, cólicas, diarreia, bola na garganta, dor no peito, dor de cabeça, visão que escurece, tremor das mãos, pernas infirmes, joelhos instáveis, sensação de desmaio iminente, de poder perder o controle sobre o próprio corpo.

Quando uma causa física clara não pode ser identificada, estes sintomas ganham a alcunha de sintomas ansiosos, e o paciente será encaminhado a um psicólogo ou a um médico psiquiatra.

Estes sintomas podem de fato decorrer de fatos ocorridos ao longo de muitos anos, ou por breves momentos e há muito tempo atrás, revividos de um modo significativo por um fato ocorrido pouco antes dos sintomas iniciarem.

Podem decorrer de experiências traumatizantes óbvias ou sutis, diretamente relacionadas com a fobia (aquilo de que se tem medo), ou sem qualquer relação aparente – deslocado mas representativo – identificável ou não ao longo da análise.

Sintomas físicos iniciais, às vezes, porém, não foram consequência, mas sim causa da ansiedade, que depois passa a causar sintomas ansiosos, por medo de que os sintomas iniciais retornem. Os sintomas iniciais podem decorrer de doenças físicas – de tireoide, de suprarrenais, cardíacas, respiratórias, metabólicas e nutricionais, crônicas ou agudas, e podem deixar uma sequela psiquiátrica traumática com sintomas psicológicos e físicos.

Outras vezes, a sequela ansiosa crônica é na verdade resultado da cronificação dos problemas físicos que persistem não tratados ou mesmo diagnosticados, causando os sintomas típicos da ansiedade.

De fato, doenças ansiosas se acompanham de um grande aumento de doenças físicas reais, inclusive cardíacas! Mas, será isso uma consequência da ansiedade, o contrário (esta daquelas) ou uma consequência dos medicamentos empregados? Provavelmente todas estas hipóteses, variando de caso a caso, e de momento a momento. Não raro, problemas físicos parecem não responder bem às intervenções clínicas, porque os fatores psiquiátricos seguem de algum modo negligenciados ou não tão bem tratados.

A ansiedade pode ainda ser subsequente a doenças ou sintomas psiquiátricos não ansiosos, como os relacionados à Depressão, Esquizofrenia, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (que no passado já foi considerado uma doença ansiosa, mas não mais), dependência de drogas, ilícitas ou lícitas, ou de álcool, síndrome pós-traumáticas, ansiedade de separação, outras psicoses, transtornos de personalidade (que se confundem com o modo de ser da pessoa),
transtornos do espectro autista, etc. Tratadas as causas não psiquiátricas, os sintomas de ansiedade usualmente desaparecem. Não tratadas as causas, a tentativa de tranquilizar os sintomas ansiosos será comumente será pouco efetiva.

Mas quem nunca se sentiu ansioso ao antecipar de um evento importante – um encontro, formatura, concurso, estreia, vernissage, palestra, o primeiro dia de aula…). Seremos então todos doentes ansiosos – certamente não!

Mas algumas pessoas terão um sofrimento muito intenso, sentirão que se prejudicam pelos seus sintomas, evitando certos ambientes – no trabalho, em casa, no lazer – notando que sua vida vai ficando cada vez mais restrita. O tempo e as exigências relacionadas com suas evitações, receios ou compensações, pode tornar a vida cada vez mais angustiante, frustrante e insatisfatória. A depressão pode comumente preceder a ansiedade, ou decorrer
desta. Mas quando as duas estão presentes, é urgente uma intervenção eficaz, para evitar as piores consequências.

Felizmente, com os avanços na medicina diagnóstica e nos recursos oriundos da psiquiatria de precisão, um grande número de pacientes já pode ser ajudado, num tempo relativamente breve, não mais dependendo de caros tratamentos de vida toda com resultados muito limitados.

* O Dr. Sander Fridman é médico psiquiatra, neuropsiquiatra e psicanalista cognitivista, com master em hipnose moderna pela Fundação Milton H. Erickson.

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