MPF desmantela megaesquema de exportação de cocaína no Litoral do RS
A condenação organização criminosa decretada pela Justiça Federal marca um dos golpes mais significativos contra o tráfico internacional de drogas envolvendo o Porto de Rio Grande, no Litoral Sul do RS.
O Ministério Público Federal (MPF) conseguiu responsabilizar 12 integrantes do grupo, acusado de operar um mecanismo altamente especializado de envio de cocaína ao exterior utilizando mergulhadores e compartimentos ocultos em navios cargueiros.
Megaoperações e penas severas após anos de investigação
A sentença, que ainda cabe recurso, impõe ao líder da quadrilha 24 anos e 15 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além de milhares de dias-multa correspondentes ao valor do salário mínimo vigente na época dos fatos.
A organização operava desde pelo menos 2022, articulando logística, financiamento, transporte, recrutamento de mergulhadores e infiltração da droga na estrutura dos navios.
Outros integrantes receberam penas que variam entre 3 e 11 anos, conforme o grau de participação no esquema.
Uma das condenações iniciais — de 3 anos — chegou a ser substituída por prestação de serviços e pagamento de valores à comunidade, diante da menor participação.
Como funcionava o esquema internacional de exportação de cocaína
Uso de mergulhadores profissionais
O grupo utilizava mergulhadores altamente treinados para instalar cargas de cocaína nas chamadas caixas de mar dos navios.
Esses compartimentos ficam abaixo da linha d’água e são utilizados para resfriar motores e auxiliar no sistema hidráulico da embarcação.
Com domínio técnico, os mergulhadores acessavam o fundo dos navios sem levantar suspeitas das equipes de fiscalização portuária, fixando os pacotes em áreas internas estratégicas.
Estaleiro como base operacional
A investigação identificou que o estaleiro de um dos condenados servia como ponto de apoio para o planejamento e para a execução das ações.
Ele também foi sentenciado: 8 anos e 5 meses de prisão, além de multa.
Coordenação interestadual
O MPF constatou que a quadrilha reunia membros de três estados — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná — formando uma rede organizada que atuava desde o preparo da droga até o transporte para diversos continentes.
Resultados internacionais da Operação Escafandria
A sentença é fruto da Operação Escafandria, deflagrada pela Polícia Federal, Receita Federal e MPF após o recebimento de informações sobre a movimentação criminosa.
O monitoramento da rede permitiu apreender 426,6 kg de cocaína distribuídos em três continentes:
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Turquia
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Espanha
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Austrália
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Além de apreensão adicional com um casal no Paraná
Essas apreensões confirmaram o alcance global do esquema e foram fundamentais para a condenação dos envolvidos.
Por que a caixa de mar era o esconderijo perfeito
A caixa de mar, elemento técnico central na investigação, é um compartimento interno por onde a água do mar adentra para resfriar os motores.
Fica oculta sob a linha d’água, com aberturas externas discretas no casco — o que a torna extremamente difícil de inspecionar.
Essa característica transformou o local em um ponto ideal para esconder grandes quantidades de cocaína sem que houvesse interferência nas operações da embarcação ou nos sistemas antifraude convencionais.
Estrutura complexa e profissionalismo criminoso
Segundo o MPF, a quadrilha mantinha um modelo de operação complexo, com divisão clara de tarefas, tecnologia aplicada e uso de profissionais especializados.
A sentença enfatiza que se tratava de um “sofisticado esquema de exportação de vultosas quantidades de cocaína”, com atuação permanente, hierarquizada e estruturada.
A decisão reforça a importância da integração entre PF, Receita Federal e MPF no combate ao tráfico internacional originado no território brasileiro.



















