“Sofremos com a discriminação pela falta de saneamento, energia elétrica e segurança. A exclusão é total”, relata Flávia de Souza. Ela mora no bairro há quatro anos com o marido e o filho de 3 anos. Segundo Flávia, sua família é pequena. “O normal são cinco, ou seis crianças em cada casa.” A maior parte dos moradores trabalha com a reciclagem de lixo, o que garante alguma renda durante os meses do verão.
Mais de 500 pessoas lotaram o ginásio do Colégio Irineu Rapaki ansiosas para ouvirem que não seriam despejadas do local onde moram. A garantia da permanência dos moradores foi confirmada pelo vice-prefeito de Tramandaí, Juarez Marques da Silva, que mostrou um documento assinado pelo prefeito de Osório.
O temor maior no relato dos integrantes da comunidade, que se revezavam ao microfone, era a ameaça de despejo, já que a prefeitura de Osório solicita a desocupação da área e não enviou representante para a audiência. A regularização fundiária, que é necessária para que o município possa acessar os programas de moradia e saneamento do Governo Federal, depende de um acordo entre os municípios de Tramandaí e Osório.
O secretário de Estado de Habitação e Saneamento lembrou que é necessário garantir à posse da terra para um posterior cadastramento das famílias. “Temos que dar condições dignas de moradia e o Governo do Estado vai ser solidário para resolver este problema”, afirmou Marcel Frison.
Um representante do Ministério das Cidades participou da audiência. Jorge Munchen ressaltou que “a participação da comunidade é necessária para conciliar uma condição pacífica”. Presentes também os deputados estaduais Ana Affonso e Jeferson Fernandes.



















