As religiões Católica Apostólica Romana, Evangélica (Pentecostal/Neopentecostal), Espírita e Afro-Brasileira — as quatro com omaior número de praticantes no Brasil — têm, como religiões, um papel fundamental a desempenhar na vida dos seus seguidores. Elas deveriam priorizar oferecer respostas profundas às grandes questões da existência, como o significado da vida, a natureza da realidade e o propósito da existência humana. Além disso, elas têm a responsabilidade primária de fornecer diretrizes para o comportamento moral e ético, ajudando os seguidores a viver de acordo com princípios e valores que promovam a dignidade, a compaixão e a justiça.
Outro aspecto importante é o conforto e apoio emocional que essas religiões podem oferecer em tempos de crise, sofrimento ou perda. Ao fornecer um senso de comunidade e apoio, elas podem ajudar os seguidores a superar desafios e encontrar esperança em momentos difíceis.
Há, no entanto, acentuada confusão e notório equívoco na distinção entre o religioso e o espiritual, a religiosidade e a espiritualidade.
Teoricamente o objetivo da religião é a conexão com o divino, buscar uma relação mais profunda com Deus, o universo ou uma força superior. Como guia moral, deve oferecer princípios e valores éticos para viver uma vida virtuosa e responsável; proporcionar apoio emocional e espiritual em momentos de crise ou sofrimento; fomentar a sensação de pertencimento e comunidade entre os fiéis; promover a paz interior e a harmonia entre as pessoas e com o mundo ao redor.
Por sua vez, a espiritualidade busca uma conexão com algo além do eu individual, como o Universo, a Natureza, Deus ou uma força superior. Almeja o autoconhecimento, descobrir e entender melhor a si mesmo, incluindo seus valores, propósitos e lugar no mundo. Desenvolver qualidades como compaixão, empatia, amor e sabedoria. Encontrar paz, calma e contentamento interior, independentemente das circunstâncias externas. Descobrir um sentido de propósito e significado na vida. Transformar a si mesmo e sua relação com o mundo ao redor.
Assim uma e outra — religiosidade e espiritualidade — se tornaram oponentes. Encontram-se manifestamente polarizadas.
Religião faz com que você se curve. Espiritualidade aponta para as suas asas.
Religião diz que se deve seguir uma ideologia e obedecer a certas regras, do contrário “haverá punição”. A Espiritualidade permite que você siga o seu coração.
Religião apregoa punição. Espiritualidade explica o karma.
A religião diz que se não obedecermos a certas regras seremos castigados. A Espiritualidade nos permite compreender que toda ação tem sua reação e perceber que o castigo de nossas ações será a reação vinda das ações que executamos. E isso independe de nossa crença.
Religião faz com que você tema. Espiritualidade lhe mostra a coragem.
Religião separa de outras religiões. Espiritualidade une.
Religião o torna dependente. Espiritualidade faz com que você seja independente. A Espiritualidade mostra que você não precisa ou não depende de nada para ser feliz. A Felicidade existe no íntimo de cada um e nós somos os responsáveis por encontrar essa benesse, não os outros. Estejamos onde ou com quem estivermos a divindade está em nós e é por isso que merecemos ser felizes.
A religião faz com que você siga um determinado caminho. A Espiritualidade permite que você crie seu próprio caminho.
A idiossincrasia das quatro citadas religiões em sua brasilidade pode, de forma lúdica, irônica e bem humorada ser percebida pelo “modus operandis” dissimulado, camuflado e encoberto de seus líderes, os clérigos, os dirigentes espirituais, os pastores e os Pais e Mães de Santo e, respectivamente, pela subserviência e credulidade de seus devotos, crentes, seguidores e adoradores.
Católica: “Meus filhos, não caiam na tentação da luxúria!”, (seguido de dois leves sacerdóticos pigarros). Em pensamento, a beatinha da Missa diária das 6 horas responde: “O que o padre acha, já que eu “comungo” dia sim e outro também?”.
Espírita: “Porque, queridos irmãos, fora da caridade não há salvação!” (“Mateus, primeiro os meus, preciso vender os arranjos para a decoração das festas, antes que a “fulaninha” o faça!”.).
Evangélica: “Queridas ovelhinhas, viver para Cristo! Depositem o dízimo na sacolinha!”. Após três emnomedopaidofilhodoespíorito… o pregador rumina: (“Metade deste dízimo é todo meu!”). Os “neós”, olhos cerrados, sonham com a “prosperidade financeira” prometida pelos Edir Macedos da vida..
Umbanda: Pai Danilo de Oxalá e Mãe Tala, depois de recebidos os custos do primeiro ebó intimam: “Os orixás informaram que o valor acabou de ser reajustado! Mas eles aceitam cartão de crédito”.
E Kant, onde cabe nesta história?
Immanuel Kant Kant foi criado em uma família pietista luterana. Sua crença religiosa era uma forma de deísmo moral, que enfatizava a importância da razão, da moralidade e da liberdade humana. Enquanto eu…
… Da varanda do oitavo andar, contemplando, de um lado as montanhas, de outro o oceano, no meu panteísmo, louvo e agradeço à Realidade Universal!



















