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Inadimplência das empresas bate novo recorde no Brasil

Inadimplência das empresas voltou a bater recorde em maio e já preocupa especialistas do setor. O número de negócios com contas em atraso chegou a 7,7 milhões, o que representa…
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Foto: Real © Marcello Casal JrAgência Brasil

Inadimplência das empresas voltou a bater recorde em maio e já preocupa especialistas do setor.

O número de negócios com contas em atraso chegou a 7,7 milhões, o que representa 32,8% do total de empresas ativas no país, superando as 7,5 milhões registradas em abril, conforme aponta o Indicador de Inadimplência das Empresas, desenvolvido pela Serasa Experian — maior datatech do Brasil.

O cenário, que já é preocupante, tende a piorar. De acordo com Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian, a inadimplência das empresas é agravada pela dificuldade no acesso ao crédito.

“Empresas endividadas encontram atualmente um ambiente de crédito mais restrito, com credores menos propensos a liberar financiamentos, inclusive para renegociação de dívidas antigas”, explica.

Essa retração no crédito vem como reflexo do expressivo crescimento do endividamento corporativo, o que aumentou a cautela dos credores. Mesmo negócios que buscam reestruturar suas dívidas enfrentam obstáculos, o que pode prolongar ou até aprofundar a situação de inadimplência.

Ameaças futuras: inflação, juros e impostos

Para os próximos meses, as projeções não são animadoras. Camila alerta para um possível agravamento da inadimplência das empresas, motivado por pressões adicionais sobre os custos operacionais. Um dos riscos é uma possível taxação de 50% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos, mencionada por Donald Trump. Caso se concretize, a retaliação brasileira pode desencadear um efeito em cadeia de encarecimento de insumos, prejudicando diretamente a produção e o fluxo de caixa das empresas — especialmente aquelas que dependem de importações.

Outro fator que pode contribuir para um novo choque inflacionário é o atual cenário de juros elevados, com a taxa básica da economia em 15%. Um aumento na inflação pode levar o Banco Central a adiar cortes de juros, dificultando ainda mais o acesso ao crédito pelas empresas.

No campo interno, um possível aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre crédito empresarial surge como mais um obstáculo. Se confirmado, o impacto será direto sobre o financiamento produtivo, afetando principalmente micro e pequenas empresas, que são justamente as mais frágeis na estrutura econômica e já enfrentam dificuldades para manter capital de giro e renegociar dívidas.

Pequenas empresas lideram a inadimplência

O levantamento da Serasa Experian revela que os pequenos negócios são os mais afetados pela inadimplência das empresas. Do total de 7,7 milhões de empresas com dívidas em atraso, 7,3 milhões são micro e pequenas empresas, que acumulam juntas 51,7 milhões de dívidas negativadas, totalizando um montante de R$ 164,1 bilhões.

Entre as empresas de maior porte, o levantamento aponta 32 mil de médio porte e 23 mil grandes companhias inadimplentes, reforçando o impacto desigual da crise financeira sobre os diferentes portes de negócios.

Inadimplência das empresas – Setores e estados mais afetados

O setor de Serviços aparece como o mais afetado, com 53,7% das empresas negativadas. Em seguida, vêm o Comércio (34,1%) e a Indústria (8,0%). Empresas dos segmentos Financeiro, Terceiro Setor e Primário completam o levantamento com participações de 3,2% e 1%, respectivamente.

Em relação às dívidas por tipo, o segmento de “Serviços” lidera novamente, com 31,5% do total de pendências, seguido por “Bancos e Cartões”, com 20,9%.

Já no recorte por unidade federativa, o Distrito Federal (42,4%) lidera em proporção de empresas inadimplentes, seguido por Pará (40,4%) e Alagoas (39,9%). Em números absolutos, São Paulo concentra o maior volume de empresas com contas em atraso (2.635.018), seguido de Minas Gerais (701.736) e Rio de Janeiro (694.981).

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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