Embora o calendário oficial para o envio da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 ainda não tenha sido divulgado, muitos contribuintes já começaram a reunir documentos e revisar informações financeiras.
A atitude, embora pareça antecipada, é uma precaução necessária, já que este ano traz mudanças relevantes, tanto nas faixas de tributação (que passam a valer na declaração de 2027, ano-base 2026) quanto no nível de fiscalização, que exigem atenção prévia.
Segundo a Receita Federal, o volume de declarações do imposto de renda tem superado a marca de 40 milhões nos últimos anos e vem acompanhado de um aumento significativo no uso de cruzamento automático de dados. Informações bancárias, rendimentos, bens, dívidas e movimentações financeiras são comparadas em tempo real, reduzindo a margem para inconsistências.
Entre as novidades está a ampliação da faixa de isenção para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, além de ajustes progressivos para quem recebe até R$ 7.350 por mês, conforme anunciado pelo Ministério da Fazenda (MF). A medida busca aliviar a carga tributária sobre a classe média, mas não elimina a obrigatoriedade de declarar corretamente rendimentos, bens e obrigações financeiras.
Erros comuns na declaração do imposto de renda
Para Kaike Ribeiro, CEO da Finanto, um dos erros mais comuns no preenchimento da declaração está relacionado à falta de organização ao longo do ano. “Muitos contribuintes deixam para reunir documentos apenas no momento da declaração, o que aumenta a chance de omissões e divergências, principalmente quando há mais de uma fonte de renda ou movimentações financeiras relevantes”, explica.
Outro ponto que merece atenção especial em 2026 é a declaração de empréstimos e financiamentos. De acordo com orientações da própria Receita Federal, empréstimos contratados não são considerados renda, mas devem ser informados na ficha de “Dívidas e Ônus Reais” quando o valor for superior a R$ 5 mil. A omissão dessa informação pode gerar inconsistência patrimonial, especialmente quando os recursos foram utilizados para aquisição de bens ou pagamento de despesas relevantes.
Além disso, os valores pagos ao longo do ano, como parcelas quitadas, devem ser compatíveis com a evolução do patrimônio declarado. “Quando o contribuinte contrata um empréstimo e não o informa, a Receita pode interpretar o aumento de patrimônio como renda não declarada”, alerta Kaike Ribeiro.
Fiscalização mais rigorosa pede precisão na declaração
A recomendação para evitar problemas passa por alguns cuidados essenciais: guardar informes de rendimentos, comprovantes bancários, contratos de empréstimo, recibos de despesas dedutíveis e registros de pagamentos ao longo do ano. Especialistas também indicam revisar a declaração pré-preenchida com atenção, já que erros de origem podem ser replicados automaticamente.
O aumento da digitalização do processo de declaração também trouxe mais rigor na fiscalização. Segundo a Receita Federal, divergências simples, como dados bancários inconsistentes ou omissão de dívidas, estão entre os principais motivos de retenção na malha fina.
Para Kaike Ribeiro, o imposto de renda deve ser encarado como parte do planejamento financeiro anual, e não como um evento isolado. “Organizar rendimentos, despesas e obrigações financeiras ao longo do ano facilita a declaração, reduz riscos e dá mais clareza sobre a própria vida financeira”, conclui.
Por Pérola Rodrigues



















