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Imóvel de R$ 1,2 milhão será leiloado no litoral por dívida de R$ 10 mil

Imóvel de luxo será leiloado para pagar dívida trabalhista irrisória Um imóvel de R$ 1,2 milhão no Litoral Norte do RS será leiloado para garantir o pagamento de uma dívida…
Saque-aniversário
Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

Imóvel de luxo será leiloado para pagar dívida trabalhista irrisória

Um imóvel de R$ 1,2 milhão no Litoral Norte do RS será leiloado para garantir o pagamento de uma dívida trabalhista de apenas R$ 10,2 mil, em decisão que chamou a atenção pelo contraste entre o valor do bem e o montante devido.

A sentença foi proferida pela juíza Rozi Engelke, da 12ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, e confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS).

Construtora descumpriu acordo e bem de sócios foi penhorado

A cobrança surgiu após o não cumprimento de um acordo judicial por parte de uma construtora, levando a Justiça a redirecionar a execução para um imóvel pertencente ao casal de sócios da empresa, localizado em Xangri-Lá (RS), um dos balneários mais valorizados do estado.

Defesa alegou bem de família, mas Justiça rejeitou

Os devedores tentaram impedir o leilão com base na Lei nº 8.009/90, que garante a impenhorabilidade do bem de família.

Contudo, a juíza rejeitou a tese, argumentando que não havia comprovação de que a residência fosse a única moradia do casal.

As declarações de imposto de renda apresentadas foram consideradas incompletas, e a magistrada ainda apontou indícios de fraude à execução, já que outro imóvel dos sócios foi vendido a terceiros durante o processo.

Sentença destacou princípio da razoabilidade

Na decisão, a magistrada ressaltou que manter a posse de um imóvel de mais de R$ 1 milhão frente a uma dívida de apenas 0,85% desse valor seria desproporcional e atentaria contra a dignidade do trabalhador.

“A permanência em um imóvel avaliado em mais de um milhão de reais, frente a uma dívida trabalhista de apenas 0,85% desse valor, representa afronta ao princípio da razoabilidade e à dignidade do trabalhador”, destacou a sentença.

Reserva de R$ 300 mil garante direito à moradia

Para conciliar a proteção constitucional à moradia, a juíza determinou a reserva de R$ 300 mil do valor da venda, permitindo que os devedores adquiram uma nova residência condizente com uma moradia digna, mas sem o luxo do imóvel original.

A medida, segundo a magistrada, reafirma o papel da Justiça do Trabalho em assegurar a efetividade das decisões e a proteção dos direitos trabalhistas.

TRT-RS confirma decisão em segunda instância

Em recurso, os sócios da construtora insistiram na tese de impenhorabilidade, mas a Seção Especializada em Execução (Seex) do TRT-RS manteve a decisão, confirmando a legalidade da penhora e reforçando a prioridade do crédito trabalhista sobre o patrimônio dos devedores.

Decisão serve de alerta para empresas e sócios

O caso evidencia que dívidas trabalhistas, mesmo de pequeno valor, podem resultar em medidas drásticas, como a alienação de imóveis de alto padrão.

Especialistas destacam que a decisão pode servir de exemplo para outros processos, reforçando a importância de cumprir acordos judiciais e respeitar os direitos trabalhistas.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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