Guaritas dos guarda-vidas como ponto de acolhimento passam a integrar estratégia de proteção às mulheres no litoral do RS
Guaritas dos guarda-vidas como ponto de acolhimento passam a ganhar uma nova função no litoral do Rio Grande do Sul durante a Operação Verão Total 2025/2026.
Além da tradicional atuação na prevenção de afogamentos, esses espaços serão utilizados como locais seguros de acolhimento, orientação e primeiro atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica, ampliando a rede de proteção em praias, lagoas e balneários do Estado.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria da Mulher (SDM), em parceria com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e o Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS), e surge como resposta à necessidade de oferecer canais acessíveis e visíveis para denúncias, inclusive em ambientes de lazer e veraneio.
Nova função das guaritas amplia rede de proteção no verão gaúcho
Durante a alta temporada, o litoral do Rio Grande do Sul recebe milhares de turistas e moradores.
Nesse contexto, o governo estadual decidiu utilizar a capilaridade das guaritas de guarda-vidas como aliadas no enfrentamento à violência contra a mulher.
Ao todo, 930 guarda-vidas atuam na Operação Verão Total, e parte desses profissionais receberá treinamento específico para lidar com situações de acolhimento inicial, escuta qualificada e encaminhamento seguro das vítimas.
A atuação seguirá um protocolo claro:
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a mulher pode procurar diretamente a guarita;
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o guarda-vidas fará o primeiro acolhimento;
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a Brigada Militar será acionada imediatamente;
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a vítima será encaminhada à delegacia mais próxima, garantindo segurança e preservação de direitos.
Treinamento e empatia: foco no atendimento humanizado
Por se tratar de uma ação pontual, os guarda-vidas receberão capacitação específica para lidar com casos de violência doméstica, com foco em empatia, cuidado e ausência de julgamentos.
Segundo a Secretaria da Mulher, o objetivo é garantir que a vítima se sinta segura desde o primeiro contato. O treinamento aborda temas como:
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escuta ativa;
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abordagem respeitosa;
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preservação da integridade física e emocional;
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acionamento correto das forças de segurança.
Adesivos identificam guaritas como locais seguros para mulheres

Para facilitar a identificação, as guaritas selecionadas receberão adesivos informativos, criados especialmente para destacar que aquele espaço é um local seguro e de acolhimento.
Os materiais trazem informações claras sobre:
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canais oficiais de denúncia;
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serviços de proteção à mulher;
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acesso à Delegacia Online da Mulher, por meio de um QR Code.
Os adesivos serão fixados nas guaritas mais movimentadas de cada praia, tanto no Litoral Norte quanto no Litoral Sul.
Balneários atendidos e alcance da iniciativa
O Rio Grande do Sul possui 16 balneários oficiais, distribuídos da seguinte forma:
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12 no Litoral Norte
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4 no Litoral Sul
Nos próximos dias, ao menos uma guarita por praia estará sinalizada, ampliando o alcance da iniciativa e garantindo que as mulheres saibam exatamente onde buscar ajuda.
Guaritas serão mapeadas por georreferenciamento
Outro avanço importante é a inclusão das guaritas adesivadas em um sistema de georreferenciamento, que permitirá localizar com precisão cada ponto de acolhimento.
O acesso será feito pelo site oficial da Operação Verão Total, no link “Georreferenciamento guaritas”, que será disponibilizado nos próximos dias.
A medida facilita tanto o acesso das vítimas quanto a atuação das forças de segurança.
‘Um problema de todos’: governo reforça papel da sociedade
O vice-governador Gabriel Souza, coordenador da Operação Verão Total, destaca que a iniciativa reforça a capacidade de resposta rápida do Estado diante de situações de risco.
“Infelizmente, casos de violência contra a mulher podem acontecer também em ambientes de lazer. As guaritas estarão identificadas e preparadas para acolher, orientar e acionar nossos servidores”, afirmou.
A secretária da Mulher, Fábia Richter, reforça que a violência contra a mulher é um problema coletivo:
“Precisamos unir forças. O acolhimento será feito com empatia, cuidado e respeito, para que a vítima se sinta segura e confiante.”
Já a secretária-adjunta da Segurança Pública, delegada Adriana Regina da Costa, ressalta que a ação amplia o acesso das mulheres aos serviços policiais:
“As vítimas passam a ter mais um canal de denúncia e proteção.”
Mudança de cultura e prevenção ao feminicídio
Para Gabriel Souza, combater a violência contra a mulher vai além da atuação estatal:
“A ideia de que ‘não se mete a colher’ ficou no passado. É dever de todos denunciar e agir preventivamente para evitar que a violência evolua para algo ainda mais grave, como o feminicídio.”
A iniciativa se soma a outras políticas públicas adotadas pelo governo gaúcho com foco em prevenção, proteção e resposta imediata, especialmente durante o período de maior circulação de pessoas no litoral.



















