Gravado em Osório e Santo Antônio da Patrulha, o filme A Primeira Morte de Joana, premiado longa da diretora Cristiane Oliveira, terá exibição gratuita e acessível neste sábado (12), às 14h30min, na Sala Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.
A obra, filmada em Osório e Santo Antônio da Patrulha, será exibida com recursos inclusivos como legendas, audiodescrição e Libras (Língua Brasileira de Sinais), promovendo o acesso de diferentes públicos ao cinema nacional.
Gravado em Osório, o filme destaca a juventude e a diversidade do RS
O longa-metragem, indisponível em plataformas de streaming, é uma coprodução da Okna Produções com a francesa Epicentre Films.
Lançado em 2021 no Festival Internacional da Índia, o filme percorreu circuitos internacionais como San Sebastian, na Espanha, e Atenas, na Grécia, e conquistou três Kikitos no Festival de Cinema de Gramado: melhor fotografia, melhor montagem e prêmio da crítica.
A sessão gratuita de “A Primeira Morte de Joana” é parte de um projeto de cinema inclusivo que busca democratizar o acesso às produções cinematográficas brasileiras.
Retrato sensível da adolescência no Litoral Norte
A narrativa se passa em 2007, durante a instalação do Parque Eólico de Osório, cenário simbólico para a transformação da protagonista Joana, interpretada por Letícia Kacperski.
Aos 13 anos, ela inicia uma jornada pessoal de descobertas sobre sua sexualidade, família e identidade.
A morte da tia-avó Rosa, que viveu sozinha por sete décadas, desperta em Joana o desejo de compreender segredos familiares e os motivos de tanto silêncio.
Osório e Santo Antônio da Patrulha como palco da sensibilidade narrativa
Assim como em “Mulher do Pai” (2016), a diretora Cristiane Oliveira opta por locações fora dos grandes centros, agora situando a trama em cidades do Litoral Norte gaúcho.
A estética das paisagens naturais, como o lago que simboliza a estagnação emocional dos personagens, contrasta com os cata-ventos dos aerogeradores, metáfora da transição e do crescimento pessoal de Joana.
Reflexão sobre gênero, silêncio e resistência
Cristiane explica que o filme nasceu da inspiração em uma mulher real, artística e socialmente ativa, que desafiava os estereótipos de sua geração.
A obra convida o público a refletir sobre os tabus em torno da sexualidade feminina e sobre o papel da educação em gênero e diversidade, principalmente num contexto sociocultural como o do Rio Grande do Sul, ainda marcado por valores conservadores.
A relação de Joana com sua amiga Carolina (Isabela Bressane) remete ao filme belga “Close” (2022), ambos tratando das pressões sociais sobre a adolescência.
O corpo, como observa a diretora, é ao mesmo tempo uma ponte para a conexão e um elemento de isolamento social.
“A Primeira Morte de Joana” oferece uma experiência sensorial profunda sobre como o amor, o afeto e a identidade são vividos dentro das estruturas familiares.




















