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Furacão Melissa ameaça o Caribe: ventos podem ultrapassar 250 km/h

Furacão Melissa A tempestade tropical Melissa, que atua sobre o Mar do Caribe, deve evoluir rapidamente para um furacão de categoria 4 ou 5 nos próximos dias, segundo alerta do…
Furacão Melissa ameaça o Caribe: ventos podem ultrapassar 250 km/h

Furacão Melissa

A tempestade tropical Melissa, que atua sobre o Mar do Caribe, deve evoluir rapidamente para um furacão de categoria 4 ou 5 nos próximos dias, segundo alerta do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC).

O fenômeno meteorológico é descrito por especialistas como uma das tempestades mais perigosas da década, com risco catastrófico para Jamaica e Haiti.

Nas primeiras horas desta sexta-feira, Melissa apresentava ventos sustentados de 75 km/h, deslocando-se a apenas 2 km/h — uma lentidão preocupante que aumenta o potencial destrutivo.

O sistema está praticamente estacionado sobre águas com temperatura de até 30 °C, um dos níveis mais altos já registrados na região nesta época do ano.

Esse calor oceânico serve de combustível para a chamada intensificação rápida, fenômeno capaz de transformar uma simples tempestade em um furacão devastador em poucas horas.

Condições atmosféricas favorecem o fortalecimento explosivo

Os meteorologistas afirmam que as condições atmosféricas estão se tornando cada vez mais propícias para que Melissa ganhe força.

O cisalhamento do vento, que até então dificultava a organização vertical da tempestade, deve diminuir no fim de semana, permitindo a formação de um olho bem definido.

Modelos de previsão avançados, como o HWRF e o HAFS-B, já indicamFuracão Melissa ameaça o Caribe: ventos podem ultrapassar 250 km/h entre domingo e segunda-feira.

“Podemos estar diante de um furacão de categoria 5, talvez um dos mais intensos já observados no Caribe”, alertou Andy Hazelton, meteorologista da Universidade de Miami.

Jamaica deve ser o epicentro da destruição

A Jamaica é apontada como o ponto mais vulnerável da trajetória de Melissa. O NHC prevê que o furacão passe muito próximo ou diretamente sobre a ilha entre domingo e terça-feira, podendo permanecer nas imediações por até 72 horas.

Os especialistas alertam para um cenário dramático: chuvas torrenciais, ventos destrutivos e deslizamentos de terra em um território montanhoso e densamente povoado.

Comparações com o furacão Gilbert (1988), que devastou o país com ventos de 215 km/h, são inevitáveis. “Melissa tem potencial para ser ainda pior”, advertiu o pesquisador Ben Noll, do The Washington Post. “A diferença é que Melissa está se movendo mais devagar e sobre um mar muito mais quente.”

Governo da Jamaica reforça alerta e fecha repartições

O governo jamaicano declarou estado de alerta máximo. Escolas e repartições públicas foram fechadas, e a população foi orientada a armazenar alimentos, água e medicamentos para vários dias.

A Jamaica Public Service, empresa estatal de energia, informou que quedas de energia em larga escala são prováveis. “O solo está saturado e a previsão é de mais chuva. Deslizamentos podem danificar a rede elétrica em diversas regiões”, afirmou o diretor de operações, Lance Becca.

Em Kingston, longas filas se formaram em supermercados e postos de combustível, enquanto moradores tentam se preparar para o impacto.

As áreas montanhosas do interior e o sul da ilha devem registrar os maiores acumulados de chuva, podendo ultrapassar 700 milímetros em alguns pontos.

Haiti enfrenta risco extremo com solo instável e crise humanitária

O Haiti, já abalado por uma grave crise política e humanitária, também está em alerta máximo.

Chuvas associadas às bandas externas de Melissa já provocaram três mortes por deslizamentos em Port-au-Prince e cinco feridos em Artibonite.

A Defesa Civil teme enchentes de grandes proporções e múltiplos deslizamentos nas encostas instáveis do país. “Esperamos chuvas catastróficas e impactos potencialmente fatais”, afirmou o NHC em nota.

Organizações humanitárias alertam que o cenário pode ser desolador. “Milhares de famílias ainda vivem em abrigos improvisados desde o terremoto de 2021, sem drenagem adequada”, destacou a ONG Care Haiti.

“Uma tempestade prolongada pode resultar em uma catástrofe humanitária sem precedentes.”

Modelos divergem sobre trajetória, mas todos indicam alta intensidade

A trajetória de Melissa ainda apresenta incertezas significativas. O modelo europeu (ECMWF) indica um movimento lento em direção ao oeste, mantendo o ciclone próximo à Jamaica por vários dias.

Já o modelo americano (GFS) sugeria uma curva mais rápida para o nordeste, mas essa previsão não se concretizou.

A última atualização do NHC aponta que o sistema seguirá para o norte após atingir a Jamaica, possivelmente afetando Cuba, Ilhas Turcas e Caicos e Bahamas. No entanto, uma pequena mudança na rota pode alterar drasticamente os impactos:

  • Se o centro se mover mais para oeste → Jamaica enfrentará ventos por mais de 48 horas;

  • Se avançar mais para leste → Haiti e República Dominicana sofrerão os maiores danos.

Inteligência artificial reforça previsões de alta destrutividade

Modelos de previsão baseados em IA do Google DeepMind mostram uma ampla dispersão de trajetórias, mas convergem quanto à intensificação extrema. Em todos os cenários simulados, Melissa deve atingir categoria 4 ou 5, impulsionada pelas águas quentes do Caribe (até 31 °C em algumas regiões).

“O conteúdo de calor oceânico é gigantesco — é como um barril de pólvora meteorológico”, explicou o meteorologista Bob Henson, do Yale Climate Connections. “Qualquer sistema que permaneça sobre essa área tende a explodir em intensidade.”

Especialistas alertam: impacto pode ser histórico

O meteorologista cubano José Rubiera, ex-diretor do Instituto de Meteorologia de Havana, classificou o evento como de risco extremo.

“O padrão atmosférico atual sugere que Melissa permanecerá quase estacionária, e isso multiplica os efeitos destrutivos. Em alguns locais, pode chover mais de 750 milímetros em quatro dias”, afirmou.

Além dos ventos e da chuva, a MetSul Meteorologia e o NHC também alertam para ondas gigantes e marés de tempestade em todo o Caribe Ocidental, ameaçando portos, ilhas turísticas e rotas marítimas. Companhias de cruzeiro já começaram a cancelar viagens e alterar itinerários.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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