Mais de três anos após a instalação de passadores aéreos na ERS-040, no Rio Grande do Sul, os primeiros resultados práticos mostram que a medida está contribuindo de forma significativa para a preservação da fauna local.
As estruturas, que são pontes de corda suspensas entre árvores, foram implantadas com o objetivo de conectar os dois lados da rodovia e evitar atropelamentos de animais arborícolas, especialmente o bugio-ruivo (Alouatta guariba), espécie ameaçada de extinção.
Mais de 4 mil registros comprovam uso das estruturas por mamíferos silvestres
Entre setembro de 2024 e maio de 2025, o Programa de Proteção e Monitoramento de Fauna (PPMF) contabilizou por meio de câmeras com sensores de presença 4.133 registros de mamíferos atravessando as passagens.
O ouriço (Coendou sp.) lidera os flagrantes com 1.902 aparições, seguido pelo bugio-ruivo (1.335) e pelo gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), com 220 registros.
Para o diretor-presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), Luís Fernando Vanacôr, os dados confirmam que a iniciativa cumpre sua função ambiental:
“As estruturas estão sendo utilizadas e salvando vidas. Os mais de 4 mil registros representam animais que deixaram de correr risco de atropelamento”, destacou.
Secretaria de Transportes defende benefícios para fauna e segurança viária
Segundo o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, as passagens de fauna não apenas protegem espécies ameaçadas, mas também contribuem para a segurança de motoristas e pedestres:
“A instalação dessas estruturas representa um passo importante em direção a um trânsito mais seguro e à preservação ambiental na ERS-040”, ressaltou o secretário.
Fauna nas alturas: passagens foram instaladas em zonas críticas ao longo da rodovia
As pontes de corda foram erguidas entre os quilômetros 13 e 16, no quilômetro 21 e entre os quilômetros 39 e 42 da ERS-040, em Viamão.
Os pontos foram definidos com base em estudos técnicos que identificaram zonas críticas de travessia de fauna.
A proposta é atender principalmente espécies que se deslocam pelas copas das árvores, diminuindo a necessidade de descer ao solo para atravessar a estrada.
Das 20 estruturas monitoradas, 19 foram utilizadas por animais.
Mesmo na ponte onde não houve travessia registrada, a presença de animais nas proximidades sugere uma fase de adaptação às novas rotas.
Estudos buscam entender fatores que influenciam no uso das passagens
Apesar do sucesso inicial, o uso das passagens varia conforme a espécie e a localização.
O bugio-ruivo foi observado em sete pontes, com maior frequência em quatro delas.
O ouriço, por sua vez, foi flagrado em quase todas.
Estudos avaliaram variáveis como a largura das pontes, distância entre elas e densidade do dossel, mas nenhuma correlação estatística significativa foi encontrada.
Pesquisadores acreditam que a presença natural da fauna no entorno influencia mais do que os aspectos físicos das estruturas.
Programa visa mitigação de impactos ambientais rodoviários
O Programa é executado pela empresa STE – Serviços Técnicos de Engenharia, em parceria com o Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (Nerf), da UFRGS, no âmbito do Plano Básico Ambiental da EGR.
Desde 2019, o programa cumpre exigências das Licenças de Operação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e está atualmente em sua segunda fase, focada na implementação e no monitoramento das medidas mitigadoras.


















