O vinho tem muitas peculiaridades — e uma delas é a facilidade com que sempre se encontra uma boa desculpa para saboreá-lo. Pode ser uma comemoração, o clima ou aproveitar os benefícios para a saúde. E, em fevereiro, a bebida está em evidência durante o Carnaval.
No rigor do inverno norte-americano, no último sábado do mês, acontece o Open That Bottle Night (Noite de Abrir Aquela Garrafa), que tem adeptos em vários países, inclusive no Brasil. É um convite para brindar vinhos ou champanhes especiais, aqueles guardados a sete chaves nas adegas.
Por aqui, o cenário é bem diferente. É verão, tempo de muito calor e folia. A estação pede opções refrescantes e bebidas bem geladas para harmonizar com pratos mais leves, e aí os vinhos brancos, rosés e espumantes entram na lista de boas escolhas. E, como em outras partes do mundo, 18 de fevereiro é celebrado como o dia para saborear e homenagear o vinho em suas diferentes formas.
Vinho no Carnaval: ousadia ou boa escolha?
E beber vinho no Carnaval é ousadia demais? Para os especialistas na bebida, se na folia “tudo pode”, por que não experimentar? A recomendação é apostar nos vinhos com screw cap, a tampa de rosca. Em geral, são rótulos pensados para o consumo do dia a dia, que não passam por longos períodos de envelhecimento. Em contrapartida, valorizam sabores frescos e frutados, apresentam acidez equilibrada e têm uma vantagem prática: são fáceis de abrir — basta girar a tampa.
Deixar a garrafa na geladeira na noite anterior é uma boa dica. Já para quem pretende levar o vinho para a avenida, o ideal é transportá-lo em um cooler, mantendo as garrafas entre camadas de gelo.
Relação entre vinho e saúde
Na folia ou fora dela, não só os tintos podem ser aliados da saúde. “O branco, o rosé e mesmo os espumantes possuem compostos antioxidantes, incluindo pequenas quantidades de resveratrol. Embora esse polifenol esteja mais presente no vinho tinto, essas versões mais leves também podem contribuir para a saúde cardiovascular, desde que consumidas com moderação”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, nutrólogo, Fellow da The Obesity Society (EUA) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
O especialista ressalta que o vinho — em qualquer versão — não deve ser uma estratégia terapêutica. “Os benefícios estão relacionados ao contexto global da alimentação, da prática de atividade física e de outros hábitos saudáveis. O excesso de álcool, independentemente do tipo de bebida, traz riscos que superam qualquer possível efeito positivo”, alerta.
Diferenciais dos vinhos leves
A seguir, entenda os principais diferenciais dos vinhos leves e descubra qual deles combina melhor com o seu estilo, a ocasião e o ritmo da folia.
Branco aliado do coração
Embora o resveratrol esteja concentrado principalmente na casca da uva e no vinho tinto, que fermenta por mais tempo em contato com essa parte do fruto e, portanto, tem teores mais elevados desse polifenol, as uvas brancas contêm outros compostos bioativos, como ácidos fenólicos e flavonoides que, ainda que em menor quantidade, garantem uma ação antioxidante leve e podem contribuir para a saúde cardiovascular, auxiliando na função dos vasos sanguíneos.
Pode na dieta
De modo geral, os brancos são menos calóricos do que vinhos mais encorpados. Já os espumantes do tipo brut ou extra brut têm baixo teor de açúcar, sendo opções mais leves quando comparados a bebidas alcoólicas adocicadas.
Rosé para quem está em dúvida
Fica “no meio do caminho” entre o branco e o tinto. Contém mais antioxidantes que o branco, porém menos que o tinto. Pode ajudar na redução do estresse oxidativo e contribuir para a saúde do coração, quando associado a um estilo de vida saudável.
Espumante para melhor digestão
Especialmente os elaborados com uvas brancas e técnicas que preservam compostos fenólicos, contêm antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres. A acidez natural e o gás carbônico estimulam a produção de sucos gástricos, favorecendo a digestão, sobretudo de refeições mais gordurosas.
Consumo sem exageros
A recomendação considerada segura é de uma taça por dia para mulheres (cerca de 150 ml) e duas taças por dia para homens. O excesso anula qualquer benefício e aumenta riscos, como doenças hepáticas, hipertensão, ganho de peso e maior incidência de alguns tipos de câncer.
Por Edna Vairoletti



















