No dia 24 de janeiro, o Brasil celebra o Dia dos Aposentados — uma data que deveria ser marcada exclusivamente pelo reconhecimento, pela gratidão e pelo respeito àqueles que dedicaram décadas de suas vidas ao trabalho, à construção da economia, ao sustento de suas famílias e ao desenvolvimento do país.
Os aposentados são mais do que números em estatísticas previdenciárias. São homens e mulheres que carregam histórias de esforço, sacrifício e contribuição social, muitas vezes exercendo atividades duras, mal remuneradas e essenciais para o funcionamento da sociedade. A aposentadoria, longe de ser um privilégio, é um direito conquistado e um mínimo retorno pela vida laboral entregue ao bem coletivo.
Entretanto, esta data também impõe um momento de reflexão amarga e necessária. Nos últimos anos, uma parcela significativa dos aposentados brasileiros foi vítima de malfeitores, desonestos e oportunistas, que, de forma sorrateira e cruel, usurparam recursos indispensáveis à sua subsistência.
Por meio de fraudes, empréstimos consignados abusivos, golpes financeiros, descontos indevidos e esquemas ardilosos, muitos tiveram reduzida a renda que já era, em grande parte, limitada ao básico para sobreviver.
Roubar de um aposentado não é apenas um crime financeiro. É um ato de violência moral e social. É retirar o remédio, a alimentação digna, o conforto mínimo e a tranquilidade de quem já enfrentou todas as batalhas que a vida impôs. É atingir, covardemente, aqueles que mais deveriam ser protegidos pelo Estado e pela sociedade.
Lamenta-se profundamente que, em vez de amparo e respeito, tantos aposentados tenham encontrado abandono, negligência institucional e conivência silenciosa diante dessas práticas criminosas.
A ausência de fiscalização eficaz, a burocracia excessiva e a dificuldade de acesso à justiça contribuíram para agravar ainda mais esse cenário de injustiça.
Neste Dia dos Aposentados, mais do que homenagens simbólicas, é imperativo reafirmar um compromisso coletivo:
Proteger quem já fez a sua parte, punir exemplarmente os responsáveis por esses crimes e garantir que nenhum aposentado seja tratado como presa fácil ou como um peso social.
Que esta data sirva para renovar a gratidão, mas também para fortalecer a indignação ética e a exigência por políticas públicas sérias, justiça célere e respeito efetivo.
Os aposentados não pedem favores — exigem dignidade, e isso é um dever de toda a sociedade.



















