Cidades do RS tem registro de queda de granizo grande
Cidades do RS amanheceram sob um cenário de destruição após fortes tempestades de granizo atingirem, com pedras de tamanho médio a grande, diferentes regiões do estado nesta sexta-feira (28).
O fenômeno ocorreu nas primeiras horas da manhã e provocou estragos expressivos especialmente em áreas rurais, deixando produtores apreensivos com as perdas registradas e ainda não contabilizadas.
Granizo grande surpreende moradores em Morro Redondo
O município de Morro Redondo, a Noroeste de Pelotas, foi um dos primeiros a registrar o temporal. Moradores de localidades como Afonso Pena, parte da Reserva e Valdez relataram a queda de pedras de gelo de variados tamanhos — algumas descritas como “das maiores já vistas” por produtores rurais experientes na região.
Imagens de radar da MetSul indicam que pontos ao Sul da Lagoa dos Patos também sofreram com granizo intenso no mesmo período, sugerindo que a área afetada pode ser ainda mais ampla do que os relatos iniciais apontam.
Produção agrícola devastada no interior de Caxias do Sul
No interior de Caxias do Sul, o impacto foi ainda mais alarmante. Por volta das 4h da manhã, propriedades rurais foram atingidas pela chuva de pedras de gelo, causando danos significativos a lavouras de uva, maçã, pêssego, ameixa e caqui — culturas sensíveis que dependem de frutos visualmente perfeitos para comercialização.
O secretário municipal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Smapa), Rudimar Menegotto, informou que produtores de regiões como São Valentim da 2ª Légua, Forqueta Baixa, Caravaggio, São Luiz, São Pedro da 3ª Légua e São Braz já relatam perdas que podem comprometer toda a safra.
Menegotto alerta ainda para uma mudança no comportamento climático:
“Na primavera, esses eventos costumam acontecer. Mas hoje eles estão aparecendo em qualquer época. E o mais anormal é ver granizo em áreas que não tinham histórico, como a 2ª Légua, que enfrenta o problema pelo segundo ano consecutivo.”
Defesa Civil já havia emitido alerta para granizo
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul havia emitido um aviso preventivo para queda de granizo, rajadas de vento, chuva forte e descargas elétricas ainda na quinta-feira (27).
As regiões mais suscetíveis incluíam a Costa Doce, Região Metropolitana de Porto Alegre, parte dos Vales, Serra e Litoral Norte — áreas que de fato registraram instabilidades nesta sexta-feira.
Para sábado (29), a expectativa é de maior estabilidade atmosférica na maior parte do estado, com possibilidade de temporais isolados apenas no Oeste e em parte da Campanha, onde os acumulados podem variar entre 5 e 30 mm.
Como se forma o granizo? Entenda o fenômeno que assustou as Cidades do RS
O granizo se forma dentro de nuvens do tipo Cumulonimbus, típicas de tempestades severas. No interior dessas nuvens, partículas de gelo se desenvolvem a partir de água super-resfriada. Essas partículas sobem e descem repetidamente empurradas por correntes de ar intensas, ganhando novas camadas de gelo a cada ciclo.
Quando ficam pesadas demais, despencam em forma de pedras de gelo — algumas com tamanhos impressionantes.
Categorias de granizo segundo o NWS (EUA):
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Pequeno: menos de 2 cm
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Grande: entre 2 cm e 4,5 cm
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Muito grande: entre 4,5 cm e 7 cm
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Gigante: acima de 7 cm
No caso das tempestades desta sexta-feira no Sul do estado, especialistas apontam que as correntes ascendentes eram excepcionalmente fortes, contribuindo para a formação de pedras de granizo realmente grandes, capazes de causar danos significativos em plantações, telhados e estruturas.
Produtores relatam perdas
Produtores de uva da região de São Valentim da 2ª Légua relataram que já haviam iniciado a colheita da safra destinada ao consumo in natura — o tipo de uva que exige aparência impecável.
A queda de granizo comprometeu grande parte dessas frutas que, com danos aparentes, deixam de ter valor comercial.
Previsão do tempo permanece em alerta para eventos extremos no RS
A sequência de temporais severos que vem atingindo o Rio Grande do Sul reforça o alerta de especialistas sobre a maior frequência de eventos meteorológicos extremos associados ao aquecimento global.
Meteorologistas destacam que a primavera — naturalmente marcada por instabilidade — pode registrar novas tempestades com potencial de granizo, especialmente em regiões onde há formação de nuvens muito desenvolvidas e correntes ascendentes mais intensas.



















