Ciclone se forma no continente
Um ciclone extratropical começou a se formar nesta terça-feira (19) sobre o continente, atingindo áreas do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.
Imagens de satélite já mostravam a formação da grande espiral de nuvens típica do fenômeno, que promete trazer uma quarta-feira de instabilidade, ventania e risco de temporais.
De acordo com a Defesa Civil e institutos meteorológicos, o RS deve enfrentar rajadas entre 50 km/h e 100 km/h, especialmente durante a manhã e a tarde.
A situação exige atenção redobrada, já que há risco de quedas de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Temporais já registrados
Antes mesmo de atingir seu auge, o ciclone organizou uma linha de instabilidade que provocou chuvas fortes e vendavais no Paraguai e, posteriormente, no Mato Grosso do Sul.
No Rio Grande do Sul, os acumulados de chuva já eram significativos até o fim da tarde desta terça-feira:
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46 mm em São Borja e Livramento
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43 mm em Uruguaiana
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42 mm em Alegrete, Santiago e Quaraí
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40 mm em Itaqui
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38 mm em Manoel Viana
Além disso, rajadas de vento chegaram a 78 km/h em Urupema (SC) e Planalto (PR), e 74 km/h em Cascavel (PR) e Rio Grande (RS).
Quarta-feira de alerta no Sul do Brasil
O ciclone deve se deslocar em direção ao Rio da Prata, com pressão mínima prevista de 990 hPa.
Isso reforça a instabilidade, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as rajadas podem variar de 80 km/h a 100 km/h em pontos isolados.
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Porto Alegre: a capital deve sentir os efeitos mais fortes a partir do meio da manhã, com rajadas de até 70 km/h.
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Interior do RS: cidades como Santa Maria, Uruguaiana e Pelotas podem registrar ventos ainda mais intensos.
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Santa Catarina e Paraná: também estão sob alerta, mas com menor intensidade em relação ao território gaúcho.
Cidades em maior risco, muitas no litoral
Segundo o monitoramento, os municípios com maior probabilidade de registrar ventos fortes incluem:
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Arroio do Sal
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Balneário Pinhal
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Capivari do Sul
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Capão da Canoa
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Caraá
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Chuí
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Cidreira
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Dom Pedro de Alcântara
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Imbé
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Itati
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Maquiné
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Mostardas
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Osório
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Palmares do Sul
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Rio Grande
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Santa Vitória do Palmar
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Santo Antônio da Patrulha
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São José do Norte
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Tavares
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Terra de Areia
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Torres
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Tramandaí
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Três Cachoeiras
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Três Forquilhas
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Xangri-Lá
Por que Porto Alegre sente menos os ventos?
Embora o Rio Grande do Sul já enfrente fortes rajadas, Porto Alegre não registrou ventania tão intensa nesta terça-feira.
Meteorologistas explicam que isso ocorre porque a capital está protegida por seu relevo e posição geográfica, o que a torna menos exposta aos ventos oriundos da corrente de jato em baixos níveis.
A expectativa, porém, é de que o cenário mude nesta quarta-feira, quando o ciclone estará mais maduro e a circulação ciclônica favorecerá rajadas mais fortes sobre a cidade.
Histórico de ciclones no Sul do Brasil
Eventos de ciclogênese explosiva não são novidade no Rio Grande do Sul. Em 2004, um ciclone extratropical deixou rastro de destruição no Litoral Norte.
Já em junho de 2020, outro fenômeno atingiu Santa Catarina e Paraná, provocando mortes, destelhamentos e milhares de desabrigados.
Especialistas reforçam que, com o aquecimento global, episódios de ciclones no Sul do Brasil podem se tornar mais frequentes e intensos, exigindo planos preventivos cada vez mais eficazes.
Como se proteger durante ventos fortes
As autoridades reforçam medidas de segurança para a população:
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Evitar áreas abertas e próximas a árvores;
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Desligar aparelhos elétricos em caso de quedas de energia;
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Manter distância de postes e fios rompidos;
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Reforçar telhados e estruturas que possam ser atingidas pelo vento.



















