Ciclone extratropical se forma no oceano e impulsiona frente fria e ar polar no Sul do Brasil
Uma área de baixa pressão atmosférica, que desde ontem vem provocando instabilidade no Sul do Brasil, está avançando para o Oceano Atlântico, onde deverá se aprofundar e dar origem a um novo ciclone extratropical.
Esse sistema será responsável por impulsionar uma frente fria e por trazer uma massa de ar frio mais intensa, alterando as condições climáticas a partir desta sexta-feira (7), com reflexos no fim de semana em diversos pontos do Rio Grande do Sul.
🌧️ Chuva e nuvens devem atingir o Leste e Nordeste gaúcho nesta sexta e sábado
Assim que essa área de baixa pressão migrar para o oceano, o giro ciclônico da circulação de umidade deverá trazer chuva e muitas nuvens para regiões do Leste e Nordeste do RS, especialmente entre esta sexta-feira (7) e o sábado (8).
A formação da frente fria será mais um fator de instabilidade atmosférica, elevando as chances de tempo fechado e temperaturas em declínio.
🌬️ Vento no mar será forte, mas sem grandes impactos em terra firme
De acordo com análise da MetSul Meteorologia, este ciclone extratropical não terá a mesma intensidade daquele registrado no fim de julho e não se formará próximo ao continente, o que reduz drasticamente o risco de ventos destrutivos no território gaúcho.
A previsão indica rajadas de vento entre 50 km/h e 70 km/h entre o final da sexta e o início do sábado, com picos isolados acima disso — intensidade comparável a um dia ventoso típico no litoral.
Portanto, não há expectativa de transtornos relevantes por vento nas áreas continentais do Sul e Leste do RS.
📉 Intensidade muito inferior ao ciclone da semana passada
Para ilustrar a diferença, a MetSul divulgou mapas de seu modelo de alta resolução (WFRF), comparando o vento máximo previsto para o ciclone do dia 28 de julho com o deste fim de semana. A diferença é notável.
Na semana passada, o ciclone provocou rajadas de até 132 km/h, afetando duramente o Sul do país. Em Canguçu, o vento atingiu 102 km/h; Porto Alegre registrou 106 km/h; no Litoral Norte, ultrapassou 100 km/h; em Cambará do Sul, chegou a 127 km/h; e na Serra do Rio do Rastro (SC), os ventos alcançaram impressionantes 132 km/h.
O evento causou apagão em mais de 400 mil clientes da CEEE Equatorial, afetando mais de 1 milhão de pessoas. Houve queda de árvores, destelhamentos e estado de calamidade pública em municípios como Capão da Canoa.
🌎 Região é propensa à formação de ciclones extratropicais
O Sul do Brasil está em uma zona de transição climática entre os trópicos e as latitudes médias, o que o torna um verdadeiro corredor natural para frentes frias e áreas de baixa pressão.
Esse encontro entre massa de ar quente e úmida vinda do Norte e ar frio e seco vindo do Sul é a receita para a formação dos chamados ciclones extratropicais, especialmente nos meses de outono, inverno e primavera.
Uruguai, Argentina, o Oceano Atlântico adjacente e o Rio Grande do Sul são as principais regiões afetadas por esses fenômenos meteorológicos complexos e recorrentes.
✅ Conclusão: risco baixo, mas atenção ao frio e ao mar
Apesar da formação de um novo ciclone extratropical e da entrada de uma massa de ar polar, o evento deste fim de semana deve ter impacto muito menor que o do ciclone anterior.
O vento será moderado e o maior efeito será o avanço do frio.
Ainda assim, quem estiver no litoral ou em áreas elevadas deve manter a atenção, especialmente quanto às mudanças de temperatura e ao risco de mar agitado em alto-mar.



















