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Chuva orográfica eleva risco extremo no Litoral Norte

Chuva orográfica Chuva orográfica é o fenômeno que coloca em alerta máximo o Litoral Norte do Rio Grande do Sul e o Sul de Santa Catarina nas próximas horas, segundo…
Temporais com chuva forte, Alerta da Defesa Civil no RS

Chuva orográfica

Chuva orográfica é o fenômeno que coloca em alerta máximo o Litoral Norte do Rio Grande do Sul e o Sul de Santa Catarina nas próximas horas, segundo advertência da MetSul Meteorologia.

A combinação entre relevo montanhoso, umidade intensa vinda do oceano e a atuação de um ciclone extratropical cria um ambiente propício para precipitações extremas capazes de superar, em apenas um dia, toda a média histórica do mês.

Modelos de alta resolução indicam volumes alarmantes entre esta sexta e sábado, com acumulados que podem ultrapassar 150 mm, 200 mm e até marcas superiores em pontos isolados próximos à Serra do Mar.

Trata-se de um risco meteorológico significativo, com potencial para provocar enchentes súbitas, deslizamentos de terra e o isolamento de comunidades, especialmente nas áreas já fragilizadas pelo excesso de chuva no final de outubro.

Risco elevado: por que a chuva orográfica preocupa tanto?

A MetSul Meteorologia alerta que o Litoral Norte gaúcho e o Sul catarinense enfrentam um cenário climático extremamente favorável a chuvas volumosas e persistentes.

Diferentemente de temporais associados a instabilidade atmosférica clássica, a chuva orográfica é contínua, quase sem pausas, e ocorre devido à interação direta do relevo com massas de ar úmidas vindas do oceano.

Previsão aponta volumes muito acima do normal

O modelo de alta resolução WRF-ECMWF mostra uma faixa crítica entre Morro Alto e Torres, no RS, até áreas do Sul de Santa Catarina, com acumulados que devem ultrapassar 100 mm e, em alguns pontos, alcançar 150 mm a 200 mm.

Há risco, inclusive, de que valores superiores sejam registrados, dependendo da persistência do fluxo de umidade.

Esses volumes equivalem — ou até superam — a chuva de todo um mês em apenas poucas horas.

Regiões mais afetadas no Rio Grande do Sul

Os maiores impactos devem ocorrer em municípios situados junto à Serra do Mar, onde o relevo favorece a intensificação da chuva. Estão na zona de maior risco:

  • Morrinhos do Sul

  • Maquiné

  • Caraá

  • Terra de Areia

  • Três Forquilhas

  • Dom Pedro Alcântara

Essas localidades já sofreram recentemente com acumulados extremos — próximos de 200 mm no final de outubro — e agora voltam a enfrentar um cenário semelhante, com risco geológico e hidrológico elevado.

Riscos imediatos: enchentes, enxurradas e deslizamentos

A combinação de relevo inclinado, rios menores e solos já úmidos cria condições ideais para:

  • Alagamentos intensos

  • Transbordamento rápido de rios e arroios

  • Enxurradas violentas

  • Deslizamentos de terra

  • Isolamento de comunidades, principalmente nas áreas rurais e de morro

Os riscos são amplificados pela recorrência de eventos de chuva extrema, que deixam o solo instável e reduzem a capacidade de absorção da água.

Ciclone extratropical intensifica o fenômeno

A chuva volumosa está diretamente associada à circulação de um ciclone extratropical que se desloca de terra para o oceano justamente entre o Litoral Norte gaúcho e o Sul de Santa Catarina no começo do sábado.

O sistema cria um corredor de vento úmido que sopra do mar para o continente.

Quando essa umidade encontra a barreira da Serra do Mar, é obrigada a subir — processo que desencadeia a chamada chuva orográfica.

O que é chuva orográfica? A explicação simples

A chuva orográfica é causada pelo relevo.

O ar úmido que vem do oceano é empurrado contra montanhas ou morros. Ao subir, encontra temperaturas mais baixas, o que faz o vapor de água se condensar e se transformar em chuva persistente.

A MetSul utiliza uma analogia simples para ilustrar o fenômeno:

Assim como o ar quente que sai da boca embaça um espelho frio, o ar úmido que encontra a barreira da Serra do Mar “embaça” a atmosfera — condensando e gerando chuva contínua.

Quando o cenário melhora?

A tendência é que os volumes mais intensos se concentrem entre hoje e o começo do sábado.

Com o afastamento gradual do ciclone extratropical para o alto-mar, o fluxo de umidade tende a diminuir, permitindo uma redução progressiva da instabilidade ao longo do final de semana.

Contudo, áreas já afetadas por chuva extrema podem continuar em condição de atenção devido ao risco de novos deslizamentos e alagamentos retardados.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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