Cães soltos têm provocado perdas devastadoras para criadores de ovelhas em diversas regiões do Rio Grande do Sul.
Em Caseiros, no Norte do Estado, o produtor Alessandro Muliterno acumula um prejuízo estimado em mais de R$ 110 mil após ataques de matilhas que dizimaram parte do rebanho.
Segundo ele, somente em 2025, 78 ovelhas já foram mortas — além de dezenas de cordeiros feridos ou desaparecidos:
“As mordidas geralmente são nos tendões, o que faz o animal cair sem conseguir se defender”, explica Muliterno, que também é médico veterinário.
Animais feridos dificilmente sobrevivem aos ataques
A maioria das ovelhas atacadas por cães morre no local ou sucumbe dias depois, mesmo após tentativa de tratamento.
O produtor relata que muitas são encontradas mortas em açudes, onde tentam se proteger.
Outras ficam mutiladas, com infecções causadas por mordidas contaminadas.
“O dente do cachorro tem uma carga bacteriana altíssima. A infecção secundária geralmente mata”, afirma Muliterno.
Cães soltos: matilhas são formadas por cães de caça abandonados
Conforme Vladimir da Silva, diretor da ONG Rede de Proteção Ambiental e Animal (Repraas), os ataques não são isolados.
A entidade acompanha diversos casos semelhantes em municípios gaúchos, envolvendo principalmente cães utilizados para caça que se perdem ou são deliberadamente deixados para trás por seus donos.
“Esses cães formam bandos, perdem contato com o ser humano e viram predadores naturais. O resultado são prejuízos aos rebanhos e à fauna silvestre”, aponta Vladimir.
Produtores cobram chipagem e responsabilização dos tutores
Muliterno defende que haja uma política de identificação obrigatória para cães, como forma de evitar o abandono e permitir a responsabilização legal de seus donos.
Segundo ele, os cães têm proprietários, mas ao causar prejuízo, “ninguém é mais dono”.
Polícia Civil pede que ataques sejam registrados oficialmente
Apesar dos relatos recorrentes, apenas dois casos foram registrados oficialmente na Polícia Civil do RS em 2025 — um em Marau e outro em Muitos Capões.
Para o diretor da Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Dicrab), delegado Heleno dos Santos, a ausência de boletins de ocorrência prejudica a atuação policial:
“Se não há registro, não há como saber que existe um problema. As ações da polícia são baseadas em ocorrências formais”, alerta Santos.
Ele ainda reforça que os registros permitem que órgãos municipais e estaduais sejam acionados para promover ações de prevenção e controle.
RS: ONG prepara relatório com casos para encaminhar a autoridades
A ONG Repraas está organizando um relatório detalhado com os ataques registrados em propriedades rurais de diversas cidades do estado.
O documento será encaminhado a autoridades públicas com o objetivo de cobrar políticas efetivas para controle populacional de cães e preservação da produção rural.
“É essencial que os municípios adotem programas de chipagem. Só assim será possível responsabilizar quem abandona ou permite que os cães causem estragos”, destaca Vladimir


















