“Não tinha medo a tal Maria de São Valentim
Era o que todos disseram quando ela se mandou pra Erechim
Deixou pra trás todo o marasmo, os filhos, e o esposo,
Só pra sentir o prazer de um corpo fogoso.”
Paródia da primeira estrofe da canção
“Faroeste Caboclo”, de Renato Russo.
*Ao dar continuidade à tarefa de organizar por data todos os contos, crônicas, poemas e haicais (ou haikais) que escrevi desde 2006 conservados dispersos no Word, entrei neste editor de textos da Microsoft no “estado soneca” e enviei, não para a “Nuvem”, mas para o “Buraco Negro” da computação toda minha “obra” literária.
Como bem definiu o meu ora defensor, Mário de Andrade, poeta e escritor, um dos maiores nomes do Modernismo brasileiro, “Todo escritor é um distraído. A criatividade dos escritores anda sempre meio ‘voando’ e, por isso, eles acabam se distraindo à toa”.*
Ainda sob “estado de choque”, enviei via WhatsApp aos meus diletos e pacientes amigos e leitores o que naquele momento eu sentia: — “Se fosse ‘direção perigosa’, eu perderia alguns pontos na CNH. Foi pior: a mais infame das ‘barbeiragens’, por estar distraído, deletei TUDO O QUE ESCREVI NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS”. O que me aconselhas? Saio pro boteco, “encho a cara” e afogo a mágoa, ousigo mar adentro e por lá fico ad perpetum?
De imediato a solidariedade de quase todos me confortaram o espírito. Aqueles amigos sugeriam, com palavras de carinho e otimismo, variados procedimentos e, em última instância, que eu apelasse para a assistência técnica especializada.
Algumas das mensagens se destacaram pela sutileza e pelo bom humor como — “Vai numa dessas lojas de informática que tem uns nerds que recuperam os textos. Eles sabem até pra que “nuvem” tu mandaste os teus escritos”. Outra, — “Vai pro Boteco!!”. Outra mais, — “Tu consegues tirar leite de vaca morta. Kkkkk”. Mais uma, — “O word é um editor de documentos. Nada fica salvo “nele”. Os documentos ficam salvos no computador, em pen drive, no Google drive, etc. Tens cópia de segurança dos seus arquivos, em um pen-drive ou na nuvem?”.
No entanto, duas foram as mensagens que lograram me distensionar. A primeira, de meu querido amigo e vizinho, Fábio Dutras, — “Nesse sentido, sou parceiro de ir para o boteco.” — o que me garante desde já companhia no eventual pilecão; a outra, de antiga e longínqua (no sentido de espaço) amiga, Beatriz Acosta, — “Encontra uma amiga e revê tudo isso!”.
Longe de ser perverso, a sugestão da Beatriz trouxe-me à lembrança o bizarro caso de “Dona Maria”, uma mulher de 54 anos. de São Valentim, no RS.
“Dona Maria” foi abordada por policiais militares na véspera de Natal, em Erechim. Ela relatou que aguardava o pouso de uma aeronave que traria o ator norte-americano Brad Pitt para se casar com ela. Segundo a mulher, após buscá-lo, os dois passariam duas noites em um hotel em Erechim.
A história ganhou grande repercussão nas redes sociais após aquela moradora de São Valentim ser flagrada dentro de um carro estacionado em frente ao aeroporto de Erechim, na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal. A presença do veículo chamou a atenção da Brigada Militar, já que não havia voos previstos para aquele horário.
Ao ser abordada pelos policiais, a mulher afirmou que aguardava a chegada de um avião com o ator Brad Pitt a bordo. Segundo o relato apresentado no momento, os dois estariam mantendo contato há cerca de dois meses, por meio das redes sociais.
Ainda de acordo com a versão da mulher, o suposto ator viajaria ao Rio Grande do Sul para passar alguns dias hospedado em um hotel com ela antes de seguir para São Valentim. O plano incluía até mesmo a realização de um casamento, o que contribuiu para a rápida viralização do caso.
Querida Beatriz, não tenho sequer uma única amiga que esconda no seu “baú de memórias” os meus perversos e transgressores poemas, contos, crônicas e haicais. A distância entre mim e o objeto do desejo da tal “Dona Maria de São Valentim”, o ator americano, é sideral e a minha Angeline Jolie é a internacionalmente conhecida “Dona” Guiga Agra.



















