Aumento do IOF vai obrigar o trabalhador brasileiro a dedicar ainda mais tempo do ano só para pagar tributos.
Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) revela que, com a decisão do ministro Alexandre de Moraes de restabelecer o decreto presidencial que amplia o Imposto sobre Operações Financeiras, a população terá de trabalhar 151 dias em 2025 e 153 dias em 2026 apenas para cumprir obrigações tributárias — um acréscimo de dois e quatro dias, respectivamente.
Atualmente, os brasileiros já comprometem cerca de 40,82% da renda anual com impostos, o que representa praticamente cinco meses de trabalho apenas para financiar o Estado. O dado considera tributos sobre consumo, renda e patrimônio.
O IOF, muitas vezes ignorado por ser menos visível, tem efeito cascata e impacto direto no bolso da população. Ele incide sobre empréstimos, financiamentos, seguros, operações de câmbio, compras internacionais e até sobre fundos de investimento.
Com a decisão valerá as seguintes alíquotas:
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Cartão de crédito/débito no exterior: de 3,38% para 3,5%
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Compra de moeda estrangeira e remessas ao exterior: de 1,1% para 3,5%
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Empréstimos para empresas: alíquota diária dobrará de 0,0041% para 0,0082%
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Seguros VGBL: de 0% para 5%
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Fundos de investimento em direitos creditórios: passam a ter 0,38%
Segundo o presidente do Conselho Superior do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o IOF é um “imposto silencioso e perverso”, que está embutido no custo de diversos produtos e serviços. Mesmo quem não contrai crédito diretamente acaba pagando por ele de forma indireta, devido ao efeito em cadeia nos preços.
“O aumento do IOF torna o sistema tributário ainda mais injusto. Enquanto países desenvolvidos entregam serviços públicos de alta qualidade com menor carga tributária, o brasileiro precisa abrir mão de quase metade de sua renda e ainda lidar com serviços precários”, afirma Amaral.
De acordo com o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, essa mudança é um retrocesso que agrava a regressividade do sistema. “Estamos falando de mais dias de trabalho sacrificados sem qualquer contrapartida em saúde, educação ou segurança.”
A estimativa do governo é arrecadar cerca de R$ 12 bilhões em 2025 com todas as alterações no IOF. Uma parte da proposta — a taxação de operações de risco sacado — foi vetada por Moraes por exceder os limites legais de um decreto presidencial, o que representaria R$ 1,2 bilhão da arrecadação.
Desde os anos 1970, o tempo de trabalho dedicado ao pagamento de tributos praticamente dobrou no Brasil, saltando de 76 para 149 dias.
A tendência de crescimento da carga tributária segue firme, e o aumento do IOF é mais um capítulo dessa escalada.



















