Anticiclone migratório: valores fora do padrão para o Atlântico Sul
Anticiclone migratório é o fenômeno atmosférico previsto para a virada de agosto para setembro no Atlântico Sul.
Modelos numéricos de previsão do tempo apontam a formação de um centro de alta pressão de intensidade excepcional, com valores que podem variar entre 1045 hPa e 1050 hPa.
Esses números são considerados extremamente raros e chamam a atenção de meteorologistas por fugirem totalmente do padrão normalmente observado na região oceânica entre a América do Sul e a África.
Por que o fenômeno impressiona meteorologistas
Sistemas de alta pressão são comuns, mas alcançar tamanha intensidade não é. No Atlântico Sul, os valores habituais variam entre 1015 hPa e 1030 hPa, podendo chegar em alguns casos a 1035 hPa.
Ultrapassar 1040 hPa já é considerado incomum; superar a barreira dos 1045 hPa, chegando perto de 1050 hPa, é algo praticamente inédito em nossa região.
Esse comportamento é mais típico de áreas frias próximas ao polo, especialmente no Hemisfério Norte, onde massas de ar extremamente densas se formam com maior frequência.
No entanto, o cenário atual coloca o Atlântico Sul em evidência como palco de um fenômeno raro e de grande impacto climático.
Como funciona um anticiclone e seus efeitos no tempo
Um centro de alta pressão, também chamado de anticiclone, é uma área da atmosfera onde o ar é mais denso e pesado.
Esse ar tende a descer em direção à superfície — processo conhecido como subsidência — e se espalhar horizontalmente, reduzindo a formação de nuvens.
O resultado é um padrão de estabilidade, céu limpo, pouca chuva e noites mais frias sob influência direta. No entanto, o anticiclone projetado para o Atlântico Sul deve trazer anomalias ainda mais marcantes.
Impactos no clima da América do Sul
A presença desse anticiclone migratório tão forte terá reflexos diretos no clima do Cone Sul, segundo a MetSul.
O contraste entre a alta pressão oceânica e um ciclone previsto para se formar na Argentina criará um gradiente de pressão atmosférica intenso.
Com isso, espera-se vento forte em áreas extensas do Atlântico Sul, atingindo também o Leste da Argentina, o Uruguai e o Leste do Rio Grande do Sul.
As rajadas, entretanto, não devem ser tão intensas quanto as registradas nos últimos dois episódios de vento forte na região.
Além disso, o ciclone poderá provocar chuva em parte do território gaúcho.
Anticiclone intenso trará frio ou calor?
Quando se fala em um centro de alta pressão de grande magnitude sobre o continente sul-americano, costuma-se associar a fenômenos de resfriamento intenso e entradas de ar polar. No entanto, neste caso, o cenário é diferente.
Os mesmos modelos numéricos que apontam a pressão atmosférica excepcional também projetam temperaturas acima e muito acima da média sob a influência dessa alta pressão.
Isso significa que, apesar da estabilidade, não haverá uma incursão de frio rigoroso, mas sim tempo firme e aquecido em boa parte das áreas afetadas.
Fenômeno raro exige acompanhamento constante
Por se tratar de um dado fora da curva, meteorologistas reforçam a necessidade de monitorar as próximas rodadas de simulações computadorizadas.
Será preciso confirmar se a pressão atmosférica realmente atingirá valores tão anômalos, próximos a 1050 hPa, ou se as projeções serão ajustadas para índices menos extremos, mais compatíveis com os padrões típicos do Atlântico Sul.



















