Para as mulheres, o cabelo vai muito além da estética: ele representa identidade, estilo e, muitas vezes, é símbolo de empoderamento e autoconfiança. Por isso, a queda capilar impacta diretamente a saúde emocional e a qualidade de vida feminina. O sofrimento tende a se intensificar quando a desinformação e o silêncio mascaram condições como a alopecia, que afeta cerca de 5% das mulheres brasileiras, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Nas redes sociais, a cantora Maiara, da dupla sertaneja com Maraisa, contou que sofre de alopecia androgenética e chegou a perder quase todos os fios de cabelo. Segundo a artista, ela também teve alopecia de tração, causada pelo uso frequente de alongamentos capilares.
“A queda de cabelo na mulher não deve ser normalizada. Quando há afinamento dos fios, redução significativa do volume ou surgimento de falhas, é fundamental investigar a causa o quanto antes, porque muitos quadros têm tratamento e até possibilidade de reversão quando diagnosticados precocemente”, explica o dermatologista José Roberto Fraga Neto, do Instituto Fraga de Dermatologia, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar (ABCRC).
Tipos de alopecia comuns em mulheres
Entre os tipos mais frequentes de alopecia em mulheres, estão:
- Alopecia androgenética feminina: caracterizada pelo afinamento progressivo dos fios e diminuição do volume capilar, principalmente no topo da cabeça e na região do rabo de cavalo;
- Alopecia areata: de origem autoimune, provoca falhas no couro cabeludo;
- Alopecias cicatriciais: menos comuns, porém mais graves, pois podem levar à perda definitiva dos fios se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente.
Diferença entre alopecia e eflúvio telógeno
José Roberto Fraga Neto ressalta a importância de diferenciar as alopecias do eflúvio telógeno, que é uma alteração do ciclo do cabelo. Esse quadro costuma ocorrer após estresse intenso, infecções, cirurgias, parto, perda de peso ou uso de determinados medicamentos, provocando uma queda difusa e abrupta dos fios, geralmente temporária quando a causa é identificada e tratada corretamente.
“A perda diária de até 50 a 100 fios faz parte do ciclo normal do cabelo. A queda se torna patológica quando há aumento persistente da perda, afinamento progressivo dos fios, redução visível do volume ou aparecimento de falhas. É importante reforçar que queda de cabelo não é um diagnóstico, mas um sintoma”, alerta o médico.
O estresse emocional intenso é um fator conhecido no desencadeamento e na piora da queda de cabelo, especialmente no eflúvio telógeno e na alopecia areata. Entre artistas e figuras públicas, a exposição constante, a cobrança estética e a pressão emocional podem intensificar esse processo, afetando não apenas a aparência, mas também a saúde emocional.
Tratamento para queda de cabelo depende do diagnóstico correto
O tratamento da queda de cabelo depende diretamente do diagnóstico correto e pode envolver medicações tópicas ou orais, correção de deficiências nutricionais, controle de alterações hormonais e procedimentos médicos realizados em consultório. A avaliação com dermatologista é essencial e pode incluir exames como a tricoscopia, além de exames laboratoriais específicos e, em casos selecionados, biópsia do couro cabeludo.
“O transplante capilar não é indicado para todos os casos e não substitui o tratamento da causa. Ele pode ser considerado quando existe diagnóstico bem definido, estabilidade da doença e área doadora adequada, sendo uma opção segura e eficaz para mulheres corretamente selecionadas”, explica o dermatologista.
Por fim, José Roberto Fraga Neto destaca o papel das redes sociais na construção da autoimagem feminina. Embora possam reforçar padrões irreais de beleza e aumentar a pressão estética, também têm potencial para ampliar o debate, quebrar tabus e incentivar a busca por avaliação dermatológica especializada.
Por Ana Carolina de Freitas


















