O litoral gaúcho será o ponto mais vulnerável à passagem do ciclone que atinge o Rio Grande do Sul entre esta terça (8) e quarta-feira (9), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O fenômeno deve provocar rajadas que podem ultrapassar os 100 km/h, além de chuva intensa em curto período, especialmente entre a costa e a faixa centro-sul do Estado.
A projeção é do meteorologista Marcelo Schneider, que alerta para a formação de uma área de baixa pressão persistente sobre o oceano, intensificando os ventos e empurrando bandas de instabilidade para o continente durante quase todo o dia de quarta.
🌪️ Ciclone ganha força e coloca o litoral como área mais crítica
Schneider destaca que a circulação do vento começou a acelerar já na segunda-feira, mas o pico da tempestade ocorre na virada de terça para quarta.
A influência do sistema é considerada típica da dinâmica atmosférica gaúcha, mas a permanência do núcleo de baixa pressão aumenta o potencial destrutivo:
— “A área mais preocupante é realmente o litoral, como é de costume, por causa da formação da baixa pressão e do tempo que ela vai permanecer sobre a região”, explicou.
Os volumes de chuva previstos variam entre 30 e 70 mm, podendo superar 100 mm de forma isolada. Em algumas localidades, a soma entre segunda e quarta-feira pode chegar a 150 mm.
⚠️ Chuvas intensas já começaram e se espalham pelo RS
A primeira etapa do fenômeno iniciou com as pancadas de chuva na Fronteira Oeste e avançou para:
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Porto Alegre
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Região Metropolitana
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Vale do Taquari
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Vale do Rio Pardo
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Centro do Estado
Cidades como Santa Cruz do Sul, Lajeado, Camaquã e Caçapava do Sul podem registrar acumulados expressivos em curtíssimo intervalo, aumentando o risco de enxurradas e alagamentos já entre a noite de hoje e a manhã de terça.
Segundo o Inmet, municípios no entorno da Lagoa dos Patos, como Tapes, São Lourenço do Sul e Rio Grande, estão entre os mais sujeitos a volumes superiores a 100 mm.
🌬️ Ventos de 70 a 100 km/h devem atingir Porto Alegre
Na Capital, a expectativa é de rajadas entre 70 e 100 km/h, especialmente ao longo da quarta-feira. Antes disso, o “nordestão” — vento quente e forte vindo do litoral, típico antes da chegada de frentes frias — deve soprar com intensidade durante a tarde e noite desta terça.
Esse padrão costuma provocar sensação térmica elevada e contribui para o avanço da instabilidade.
🏖️ Faixa litorânea pode registrar os maiores impactos
O Inmet reforça que o topo da tempestade deve ocorrer na madrugada e manhã de quarta-feira, com maior risco no litoral, entre o Chuí e Torres. Ventos sustentados, prolongados e frequentes são capazes de:
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arrancar telhas
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danificar estruturas de prédios
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derrubar árvores
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romper cabos de energia elétrica
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provocar ressaca e avanço do mar
Historicamente, esse tipo de ciclone é responsável por grande parte dos danos registrados em municípios costeiros, especialmente em áreas próximas às dunas e ao pós-praia.
🌧️ Por que o litoral é sempre a região mais vulnerável?
A geografia do litoral gaúcho, a formação plana e a ausência de barreiras naturais favorecem a entrada direta de rajadas oceânicas. Quando um ciclone extratropical se forma próximo à costa, a energia é rapidamente transportada:
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da superfície oceânica para a atmosfera,
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e da atmosfera para o continente.
O resultado é um quadro de vento forte, chuva intensa e mar agitado, condições que se mantêm mesmo quando o centro do ciclone está a centenas de quilômetros da costa.
🌀 O que é o ciclone extratropical que afeta o RS?
O fenômeno é caracterizado por:
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queda abrupta de pressão atmosférica
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grande contraste térmico entre massas de ar
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forte rotação do vento
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possibilidade de formação de “ganchos de precipitação”, áreas onde a chuva se organiza em bandas intensas
Diferente de um tornado, ele não se concentra em um único ponto. Atua em larga escala, afetando grandes regiões ao mesmo tempo.
🏠 Recomendações de segurança
Especialistas orientam:
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Evitar sair de casa durante o pico da tempestade.
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Manter distância de árvores e postes.
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Retirar objetos que possam ser arremessados pelo vento.
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Acompanhar alertas da Defesa Civil e do Inmet em tempo real.
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Evitar o mar, mesmo após a passagem do ciclone, devido à ressaca.
📊 Ciclones recentes no RS: por que o fenômeno se repete?
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul registrou vários eventos intensos.
O Estado está em uma zona de transição climática e, com o aquecimento das águas do Atlântico Sul, a tendência é de sistemas mais frequentes e fortes.
A combinação entre calor e frentes frias cria um corredor ideal para a formação de ciclones extratropicais.
📣 Conclusão
A passagem do ciclone sobre o RS reforça a importância de monitoramento contínuo, atenção redobrada no litoral e preparação das cidades para enfrentar eventos extremos que, segundo especialistas, tendem a ser cada vez mais comuns.


















