Ressaca atinge as praias do Litoral Norte
Ressaca atinge as praias do Litoral Norte mudando completamente o cenário em Tramandaí na tarde deste sábado (03).
Quem caminhava pela orla, especialmente os mais desavisados, poderia facilmente imaginar estar em um dia típico de inverno, mesmo em plena temporada de verão no litoral gaúcho.
O tempo fechado, a intensa ventania e o mar extremamente agitado chamaram a atenção de moradores, turistas e comerciantes.
Rajadas de vento levantaram grandes quantidades de areia das dunas, que foram carregadas para ruas da beira-mar e calçadões.
Quiosqueiros retiram cadeiras e guarda-sóis às pressas
Com o avanço rápido da ressaca, quiosqueiros precisaram agir com urgência para evitar prejuízos materiais.
O mar avançou sobre a faixa de areia, obrigando comerciantes a recolher cadeiras, mesas e guarda-sóis para evitar que os equipamentos fossem levados pelas ondas.
A combinação entre vento forte e mar revolto deixou o ambiente instável, reduzindo significativamente o movimento de banhistas e forçando a interrupção temporária de atividades na praia.
Entenda o que causou a ressaca no Litoral Norte

Segundo a MetSul Meteorologia, a ressaca é consequência direta da atuação de uma área de baixa pressão sobre o Oceano Atlântico, aliada ao ingresso de uma massa de ar frio intensa para esta época do ano.
Esse sistema atmosférico provocou ventos fortes no Leste do Rio Grande do Sul, com rajadas ainda mais intensas em alto-mar, favorecendo a formação de ondas elevadas e mar agitado ao longo de toda a costa gaúcha.
Rajadas de vento ultrapassam 80 km/h em diversas cidades

Os dados de estações meteorológicas mostram a força do evento. As maiores rajadas de vento registradas no sábado (03) no Sul e no Leste do Rio Grande do Sul foram:
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Cambará do Sul: 82 km/h
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Porto Alegre: 78 km/h
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Chuí: 78 km/h
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Rio Grande: 74 km/h
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Tramandaí: 72 km/h
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Rolante: 72 km/h
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Jaguarão e São Lourenço do Sul: 70 km/h
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Capão da Canoa: 68 km/h
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Camaquã e Barra do Ribeiro: 64 km/h
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Morro Reuter e São José dos Ausentes: 63 km/h
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Picada Café: 62 km/h
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São Francisco de Paula: 61 km/h
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Santa Vitória do Palmar e Pedras Altas: 60 km/h
No Litoral Norte, os ventos intensos contribuíram diretamente para o aumento do volume e da força das ondas.
Ondas podem chegar a 3 metros e ressaca deve persistir
De acordo com a MetSul, a tendência é de agravamento da agitação marítima entre a noite deste sábado e o início da manhã de domingo. O avanço do swell deve manter condições favoráveis à ressaca ao longo de todo o domingo.
As ondas podem atingir entre 2,5 metros e 3 metros, especialmente durante os períodos de maré mais alta, quando ocorre a chamada maré de tempestade, com avanço do mar sobre a faixa de areia.
Corrente de Malvinas traz águas mais frias ao litoral
Outro fator relevante é o ingresso da corrente marítima de Sul, conhecida como Corrente de Malvinas. Esse fenômeno transporta águas mais frias em direção ao litoral do Rio Grande do Sul.
Com isso, deve ser interrompida a sequência recente de dias com mar calmo, águas claras e temperaturas mais elevadas, características da atuação da Corrente do Brasil, que vem do Norte.
A mudança impacta não apenas o aspecto visual do mar, mas também a temperatura da água, afetando banhistas, surfistas e atividades turísticas.
Alerta para moradores, turistas e pescadores
Especialistas recomendam atenção redobrada durante episódios de ressaca.
O mar agitado aumenta o risco de afogamentos, arrastamento por correntes de retorno e danos à estrutura da orla.
Pescadores, praticantes de esportes náuticos e turistas devem evitar o ingresso no mar enquanto persistirem as condições adversas.



















