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Sobras da Ceia de fim de ano: como reaproveitar com segurança

Nutricionista ensina cuidados de conservação e dicas para evitar desperdício de alimentos

A generosidade das Ceias de Réveillon faz parte da tradição brasileira, resultando inevitavelmente em sobras que podem alimentar a família por vários dias. Entretanto, o reaproveitamento desses alimentos demanda atenção redobrada com práticas de higiene e conservação, especialmente quando envolvem preparações à base de carnes, laticínios e molhos.

Ignorar procedimentos básicos pode transformar uma refeição prazerosa em sérios problemas gastrointestinais que prejudicam o início do novo ano. Segundo Camila Junqueira, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera, alguns alimentos se deterioram mais rapidamente e podem se tornar perigosos em poucas horas fora de refrigeração adequada.

Durante as comemorações, a empolgação com as conversas e a animação fazem com que as travessas permaneçam na mesa muito além do recomendado, criando ambiente perfeito para contaminação. A profissional, por sua vez, explica que o principal risco está no tempo em que os pratos permanecem expostos à mesa.

“Muitas pessoas deixam as travessas sobre a mesa por duas, três horas ou até mais. Em dias quentes, esse intervalo é suficiente para que bactérias como Salmonella, Staphylococcus aureus e E. coli se multipliquem rapidamente, aumentando o risco de intoxicação”, afirma.

A seguir, veja as orientações sobre riscos, conservação e reaproveitamento seguro das sobras da ceia de fim de ano.

Cuidado com alimentos que estragam mais rápido

Entre os alimentos que estragam mais rápido, a coordenadora destaca carnes, aves, pescados e preparações com maionese. “Peru, pernil, tender e frango precisam voltar à geladeira em até duas horas após o consumo. Passado esse tempo, aumenta o risco de proliferação bacteriana. Saladas com maionese, legumes cozidos e pratos à base de ovos também são muito sensíveis ao calor e devem ser descartados se tiverem ficado muito tempo expostos”, aponta.

Pratos típicos como farofa, arroz à grega e salpicão também exigem atenção. “A farofa absorve umidade e pode estragar rapidamente quando contém ovos, bacon ou carne. Já o arroz tende a desenvolver toxinas se mal refrigerado. Por isso, o ideal é guardar tudo em recipientes limpos, bem fechados e porções menores, que resfriam mais rápido”, orienta a especialista.

Ao serem cortadas, as frutas oxidam rapidamente e podem fermentar, o que as torna impróprias para comer em outro momento (Imagem: Shutterstock)

Atenção às sobremesas e às frutas

Sobremesas também podem representar risco, especialmente aquelas feitas com creme de leite, leite condensado, chantili ou frutas frescas. “Pavês, musses e tortas refrigeradas devem ser consumidos em até 48 horas. Frutas cortadas oxidam rapidamente e podem fermentar, tornando-se impróprias para o consumo”, explicaCamila Junqueira.

Como reaproveitar a Ceia com segurança

Para quem deseja reaproveitar com segurança, a coordenadora recomenda planejamento. “O segredo é refrigerar tudo logo após a ceia, preferencialmente em um período máximo de duas horas. Além disso, é importante reaquecer bem as preparações antes de consumir, a temperatura deve chegar ao mínimo de 74°C para eliminar microrganismos”, diz.

Sinais de deterioração e riscos à saúde

Os sinais de que o alimento estragou incluem cheiro alterado, mudança na cor, textura pegajosa, presença de espuma ou sabor ácido. Nesses casos, a orientação é descartar imediatamente. “Não existe reaproveitamento seguro quando o alimento apresenta sinais de deterioração. Intoxicações alimentares podem provocar febre, vômitos, diarreia intensa e desidratação, e podem ser graves para crianças, idosos e gestantes”, alerta Camila Junqueira.

Consumo consciente e segurança alimentar

Por fim, a coordenadora reforça que reaproveitar com responsabilidade é possível e saudável. “Com armazenamento correto, refrigeração rápida e consumo dentro do prazo, é possível evitar desperdício, economizar e manter a segurança alimentar. O cuidado com as sobras deve ser parte do planejamento das festas”, conclui.

Por Bianca Lodi Rieg

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