🌪️ Ciclone intenso no RS
Ciclone intenso preocupa especialistas que monitoram a evolução de um sistema de grande risco previsto para se formar entre terça-feira (9) e quarta-feira (10) no Rio Grande do Sul.
Modelos internacionais e análises da MetSul Meteorologia indicam um cenário incomum, com potencial para tempestades severas, vento destrutivo e chuva volumosa em várias regiões, em um processo de ciclogênese considerado perigoso para toda a metade Sul do Brasil.
Uma combinação explosiva de sistemas vai favorecer a formação do ciclone
A situação começa a se desenhar a partir deste fim de semana, quando uma área de baixa pressão em altitude avança do Pacífico em direção à costa central do Chile, próximo à região de Santiago.
No início da próxima semana, essa baixa deve cruzar a Cordilheira dos Andes e atingir a Argentina central, alterando profundamente o padrão atmosférico.
Logo após essa mudança inicial, a baixa pressão em níveis médios e altos da atmosfera vindas do Pacífico deve entrar em fase com outro centro de baixa pressão em superfície posicionado no Paraguai.
Este sistema, por sua vez, avança em direção ao Oeste do Rio Grande do Sul entre o final da segunda-feira (8) e o amanhecer de terça-feira (9), preparando o ambiente para a ciclogênese.
Terça-feira marca o início da formação do ciclone
Os meteorologistas destacam que, na terça-feira (9), a interação entre os dois sistemas de baixa pressão dará origem a um processo de formação rápida de ciclone entre o território gaúcho e o Uruguai.
A expectativa é de instabilidade intensa e generalizada já nas primeiras horas do dia.
A pressão atmosférica deve desabar de forma significativa, atingindo valores excepcionalmente baixos — padrão típico de eventos de grande impacto.
A instabilidade deve se espalhar não apenas pelo Rio Grande do Sul, mas também pelas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, acompanhada de convecção profunda e tempestades de forte intensidade.
Quarta-feira pode ser o dia mais crítico, com vento extremo e risco de danos
Na quarta-feira (10), a projeção atual aponta o ciclone atuando com força máxima na costa gaúcha.
O vento tende a soprar muito forte e por várias horas consecutivas, especialmente no Sul e no Leste do Estado.
Modelos indicam ventos ciclônicos entre 60 km/h e 80 km/h em grande parte do Rio Grande do Sul, com rajadas ainda mais perigosas — entre 80 km/h e 100 km/h — em áreas litorâneas e nas regiões mais próximas ao vórtice do sistema.
A MetSul destaca que, quanto mais o evento se aproximar, mais precisas serão as estimativas de rajadas.
Um impacto expressivo é esperado sobre o setor elétrico.
A combinação de vento intenso e longo período de rajadas pode causar queda de postes, rompimento de cabos e interrupção no fornecimento de energia para milhares de clientes, especialmente nas áreas atendidas pela CEEE Equatorial.
Projeções de chuva intensa e tempestades severas em diversos estados
A modelagem numérica aponta que a instabilidade deve atingir amplo território.
Há previsão de chuva intensa em vários setores do Sul do Brasil, com acumulados que podem superar 50 mm em poucas horas.
Em áreas próximas ao centro do ciclone, os volumes podem alcançar entre 100 mm e 200 mm, elevando o risco de alagamentos e enxurradas.
Além disso, há possibilidade de formação de supercélulas — tempestades rotativas capazes de produzir granizo grande, vendavais destrutivos e episódios isolados de tempo severo.
Meteorologistas não descartam a formação de uma linha de instabilidade organizada, capaz de cruzar parte do Sul do Brasil ainda na terça-feira.
Saída do sistema e mudanças previstas para quinta-feira
No começo da quinta-feira (11), o vórtice do ciclone ainda pode provocar instabilidade e vento no Leste do Rio Grande do Sul.
Porém, ao longo do dia, o sistema tende a se afastar rapidamente para o oceano, seguindo uma trajetória Leste-Sudeste típica de ciclones intensos formados na região.
Apesar do afastamento previsto, seus efeitos residuais ainda podem ser sentidos, especialmente no Litoral, onde o mar deve ficar agitado e o vento pode permanecer moderado a forte por algumas horas.
Modelos internacionais apontam cenário raro e de atenção máxima
Todos os principais centros meteorológicos globais — incluindo o modelo europeu, reconhecido por sua precisão — projetam a formação deste ciclone.
A pressão atmosférica indicada nas simulações é considerada atípica para a época do ano. O modelo europeu, por exemplo, chega a apontar pressão de 990 hPa em áreas do Sul gaúcho, algo incomum até mesmo em eventos de inverno.
Para quarta-feira (10), o centro do ciclone pode atingir pressão próxima a 980 hPa sobre o oceano, muito perto da costa gaúcha.
Embora ajustes ainda possam ocorrer, o cenário atual aponta um evento de grande intensidade e potencial de causar impactos significativos.
MetSul reforça alerta e pede acompanhamento de boletins
Diante do potencial de impacto, a MetSul Meteorologia recomenda que a população fique atenta aos boletins atualizados que serão publicados nos próximos dias.
O acompanhamento contínuo é fundamental para entender a evolução do sistema, identificar áreas sob maior risco e antecipar medidas de segurança.



















