Meu confrade de arroubos e atrevimentos literários, Erner Machado, a quem merecidamente intitulo “El Payador”, enviou-me uma provocação. Tratava-se do texto de sua lavra sobre os Juízes de Direito que atuaram na Comarca de Rosário do Sul, seu torrão natal. Erner residia com os pais numa casa muito próxima ao Fórum. Essa vizinhança se ofereceu aos olhos do já curioso moleque como verdadeiro “posto de observação” aos magistrados que exerceram seu ofício naquela circunscrição fronteiriça. A partir disso, ele tece reminiscências recheadas de respeito à ilibada figura dos tribunos.
Ariano Suassuna sempre sentenciou: todo escritor é um mentiroso. Eu acrescentaria: nossas leitoras amigas e nossos camaradas leituristas, por caridade cristã, o são ainda mais. Longe estou do ofício de tricotar laudatórias palavras, às quais Erner e eu há muito estamos avezados, e de ingressar nessa seara. Sem mais delongas, minha réplica ao desafio do amigo e irmão nas lides de rabiscadores:
O entendimento e a observância aos princípios basilares da moral e da ética nos mais diversos campos de trabalho, nas mais diferentes áreas de atuação, sobretudo nos segmentos de maior visibilidade, como a política, os membros dos poderes Executivo, Legislativo e, sobremaneira, o Judiciário, mudaram significativa e drasticamente. A exposição midiática os “coagiu” a isso. Exemplo maior são os Tribunais Superiores. As Sessões Plenárias do STF transformaram-se no palco onde o drama, a comédia e o “pastelão” se permeiam, movidos pelos protagonistas, pelos antagonistas e pelos indispensáveis coadjuvantes — os “escadas”, os “Bobos da Corte” —, para que o galã, carismático, eloquente e gesticulador, o príncipe encantado em seu cavalo branco, encante a mocinha feiosa, a Dominique, Nique, Nique, sempre alegre esperando alguém que possa amar…
No máximo, ela terá a imagem de São Jorge/Ogum, quando não em gesso e resina, impressa na folhinha do calendário da sapataria, porque Xangô Aganju* há muito deixou de crer nos ebós de seus devotos vestidos em toga.*
*Ogum simboliza a coragem, a luta, a tecnologia e a abertura de caminhos. Ele é o orixá da guerra, do ferro, da metalurgia, da caça e da agricultura;
**Xangô simboliza a justiça, a força, a sabedoria, o equilíbrio e o poder, o conhecimento das leis e das escritas, sendo considerado o padroeiro dos intelectuais e guardião dos segredos da terra.


















