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Lagoa dos Barros: Justiça determina medidas urgentes à Prefeitura de Osório

Lagoa dos Barros O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) ajuizou uma Ação Civil Pública contra o Município de Osório após identificar uma série de irregularidades ambientais nas…
Lagoa dos Barros
Foto: Rogério Reinheimer Bernardes/Litoralmania

Lagoa dos Barros

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) ajuizou uma Ação Civil Pública contra o Município de Osório após identificar uma série de irregularidades ambientais nas margens da Lagoa dos Barros, uma das áreas mais importantes de preservação permanente (APP) do Litoral Norte gaúcho.

A investigação teve início após denúncias de moradores e vistoria técnica, que confirmaram a existência de imóveis erguidos sem licenciamento ambiental, poços artesianos sem outorga, ligações elétricas clandestinas e sistemas de esgoto inadequados despejando resíduos diretamente no solo.

O MP-RS considera a situação grave e prolongada, e acusa o município de omissão na fiscalização e de permitir o avanço das ocupações irregulares na região, comprometendo o equilíbrio ecológico e a qualidade da água da lagoa.

Casas de lazer

Rogério Reinheimer Bernardes/Litoralmania

Segundo o Ministério Público, boa parte das construções irregulares identificadas nas margens da Lagoa dos Barros são casas de lazer — utilizadas apenas em fins de semana ou feriados — e não se enquadram em programas de regularização fundiária de interesse social, o que reforça o caráter de ocupação indevida.

Além disso, o órgão destacou que a Prefeitura de Osório não concluiu o estudo social prometido à Justiça em gestões anteriores, tampouco apresentou plano efetivo de contenção e recuperação ambiental da área degradada.

Justiça impõe medidas rígidas à Prefeitura de Osório

Em decisão liminar, a Justiça acolheu os pedidos do Ministério Público e determinou que a Prefeitura de Osório adote uma série de medidas imediatas para conter os danos ambientais e evitar novas construções ilegais.

Entre as determinações estão:

  • Fiscalização contínua da área da Lagoa dos Barros;

  • Suspensão imediata de novos licenciamentos e autorizações para obras;

  • Elaboração de relatórios trimestrais a serem enviados ao MP e aos órgãos ambientais competentes;

  • Monitoramento de poços, fossas e ligações elétricas clandestinas.

O descumprimento dessas medidas poderá gerar multa diária de R$ 1.000, limitada a R$ 500 mil, valor que será destinado ao Fundo de Reparação de Bens Lesados, à Patrulha Ambiental (PATRAM) de Osório e ao Fundo Municipal de Meio Ambiente.

Lagoa dos Barros: um ecossistema essencial ameaçado pela ocupação humana

Localizada entre os municípios de Osório e Santo Antônio da Patrulha, a Lagoa dos Barros é uma das mais extensas e biodiversas do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Suas margens abrigam espécies nativas de fauna e flora, funcionando como importante zona de recarga hídrica e refúgio de aves migratórias.

Fiscalização ambiental deve ser prioridade no Litoral Norte

A ação do Ministério Público reforça a necessidade de maior fiscalização em áreas de preservação permanente (APPs) no Litoral Norte, que vêm sofrendo pressão crescente de empreendimentos imobiliários e ocupações irregulares.

Para o órgão, apenas uma política ambiental firme e transparente, com apoio técnico, monitoramento constante e participação da comunidade local, poderá impedir novas infrações e recuperar as áreas degradadas.

O caso segue em tramitação na Vara Regional do Meio Ambiente, com acompanhamento do MP-RS e da PATRAM de Osório.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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