Meteoro de longa duração
Meteoro de longa duração marcou o céu do Rio Grande do Sul na noite desta quinta-feira (6), transformando a paisagem do Litoral e de outras regiões do Estado em um verdadeiro espetáculo astronômico.
O clarão, registrado por câmeras e observado a olho nu por moradores que ainda circulavam pelas ruas por volta das 19h32, durou mais de 12 segundos — uma eternidade quando se trata desse tipo de fenômeno.
A raridade, confirmada por especialistas, rapidamente repercutiu entre astrônomos, pesquisadores e interessados no tema.
O que se sabe até agora sobre o meteoro observado no Litoral gaúcho
De acordo com o Observatório Heller & Jung, a trajetória do meteoro seguiu no sentido norte-sul, passando a leste do território gaúcho e avançando sobre o oceano em altitude elevada.
A análise técnica realizada após a captura em vídeo confirmou que se tratava de um meteoro de longa duração, com 12,24 segundos de passagem contínua, um tempo considerado excepcional.
O intervalo em que o fenômeno ocorreu também chamou atenção: entre 19h30 e 20h30, quando o céu apresentava trechos parcialmente limpos.
Segundo os especialistas, registros desse tipo se tornam ainda mais difíceis quando há luminosidade residual no horizonte, como havia no momento da observação.
Especialistas confirmam autenticidade e reforçam raridade
O registro foi confirmado por um integrante da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) que estava em Jaquirana, nos Campos de Cima da Serra.
O observador captou o fenômeno em vídeo no mesmo momento em que um avião comercial — que fazia a rota Porto Alegre–Congonhas — cruzava o céu em altitude menor.
Esse tipo de coincidência facilita a confirmação técnica, já que permite comparar luminosidade, velocidade e trajetória com um ponto de referência confiável.
Meteoros de longa duração, segundo especialistas, representam eventos de grande interesse científico, pois podem ter origem em fragmentos maiores de cometas ou asteroides que entram na atmosfera em ângulos específicos. Eles queimam mais lentamente, o que prolonga sua visibilidade.
Por que meteoros longos são tão impressionantes?
A maioria dos meteoros comuns dura menos de um segundo. Por isso, qualquer registro acima de 3 ou 4 segundos já chama a atenção dos astrônomos. Quando a duração ultrapassa 10 segundos, como no caso desta quinta-feira, o fenômeno passa a ser classificado como extremamente raro.
Além de sua beleza, esse tipo de meteoro fornece dados importantes para estudos sobre:
-
Composição química dos fragmentos
-
Comportamento de entrada na atmosfera
-
Velocidade, massa e resistência térmica
-
Riscos potenciais de quedas de maior magnitude
O Observatório Heller & Jung e a BRAMON devem divulgar nos próximos dias análises detalhadas sobre a origem e o tipo de fragmento que gerou o brilho observado.
O que esperar agora? Haverá mais fenômenos como este?
Embora seja impossível prever quando um meteoro voltará a cruzar o céu gaúcho com tamanha intensidade, especialistas afirmam que o Litoral do RS é uma das regiões brasileiras mais favoráveis a registros astronômicos desse tipo — especialmente em noites com céu limpo e pouca interferência luminosa.
Fãs da astronomia podem continuar atentos: dezembro e janeiro costumam ser meses de grande atividade meteórica no Hemisfério Sul devido a chuvas como as Geminídeas e Quadrantídeas.



















