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O Suicídio por crianças – Dr. Sander Fridman, psiquiatra*

O Suicídio por crianças – Novos Enfoques para o Setembro Amarelo – Dr. Sander Fridman, psiquiatra* * Para atendimento em Osório: 3663-2755. Por mais terrível que o assunto possa ser,…
Foto: Dr. Sander Fridman é Doutor em Psiquiatria pelo IPUB/UFRJ. Atende Neuropsiquiatria, Psicanálise Cognitivista, Transtornos Sexuais e Relações Conjugais.

O Suicídio por crianças – Novos Enfoques para o Setembro Amarelo – Dr. Sander Fridman, psiquiatra*

* Para atendimento em Osório: 3663-2755.

Por mais terrível que o assunto possa ser, no mês internacional da prevenção do suicídio não podemos continuar, ano após ano, evitando este aspecto importante do problema.

Os artigos científicos que se debruçaram sobre o tema e que se referem a “crianças”,
“meninas” ou “meninos” em seus títulos, totalizaram apenas 524, 41 e 15 artigos,
respectivamente, correlacionado-se com sua baixa incidênia, mas não com a dimensão da tragédia.

O JAMA Psychiatry, em 2022, publicou um resumo de publicações, em que encontrou suicídio para cada 1,25 milhão de crianças a cada ano, que de cada 6 crianças com idéias de suicídio, 1 acabou por tentando.

Crianças que não se encontravam em atendimento psiquiátrico apresentaram o dobro de eventos suicidas. Crianças com histórico de algum transtorno mental, sofrendo com angústias relacionadas ao desempenho escolar, maus tratos, falta de suporte dos pais, foram associados a um aumento de riscos de suicídio de até 20 vezes.

O risco de crianças do sexo masculino foi relatado como maior do que o dos
adolescentes

Ao redor de 12 anos (10-14), 2,3 crianças morreram por suicídio para cada 100.000, segundo dados publicados pelo CDC dos EUA em março de 2025.

Quanto mais baixa a idade, menor o risco geral – o que não descarta o risco em casos específicos.

Outro estudo, da Universidade de Nova York, e publicado em 2020, encontrou, no início das menstruações (menarca) um pico de aparecimento de sofrimentos emocionais e idéias de suicídio.

Um outro , das Universidades da Carolina do Norte e de Illinois, encontraram dados
semelhantes, além de uma oscilação acentuada da sintomatologia psiquiátrica segundo as fases do ciclo menstrual – de modo mais perturbador nas púberes, mas ocorrendo igualmente em 60% das mulheres adultas. Estas oscilações desencadeiam disrupções sociais/interpessoais, desinibição cognitiva, mal-humor, sintomas físicos.

Meninas com menarca, assim como aquela com adversidades sociais precoces, apresentam maiores riscos relacionados ao suicídio. Monitoramento diário dos sintomas psiquiátricos e correlação com as fases do ciclo poderão elucidar o papel específico destas flutuações hormonais na geração dos sintomas emocionais e dos descontroles comportamentais.

Pesquisadores das Universidades de Pittsburg e Chicago observaram que as ocorrências de tentativas de suicídio em meninas que tinham, ao mesmo tempo, idéias de suicídio e automutilações, foi 2,4 vezes mais frequente do que no grupo das que só tiveram idéias de suicídio. Essas últimas não conseguiram provar aumento no risco de suicídio, neste estudo.

Na Coréia do Sul, em 2021, relatou-se que tentativas de suicídio por meninas dos
12-18anos, cujas mães relatassem terem tido planos de suicídio ou tentativa de suicídio, foram 6 e 12 vezes mais frequentes, respectivamente! A monitoração preventiva de meninas com um histórico familiar assim, parece, portanto, bastante indicada.

Em meninos, auto-mutilações, embora 4 vezes menos frequentes, impactam em grau
equivalente sobre o risco de tentativas de suicídio. Assim como nas meninas, o início
precoce da puberdade nos meninos – primeira ejaculação antes dos 9-12 anos – fo
icorrelacionada com um aumento dos riscos de suicídio, bem como de outros sintomas de angústia, impulsividade e agressividade. Entre os 15-24 anos, apresentam 3 vezes mais tentativas de suicídios que no sexo feminino.

Em ambos os sexos e em todas as idades, impulsividade, trocas rápidas do humor,
comportamento errático, uso precoce ou abusivo de alcool ou de drogas, se correlaciona com aumento substancial dos riscos ligados ao suicídio.

O Bullying é um fator desencadeante e agravante de idéias de suicídio, automutilação e planejamento e tentativas de suicídio. Nos meninos, os atos de bullying são mais óbvios e mais fisicamente violentos, com brigas e agressões. Nas meninas, porém é mais sutil, dirigido à autoestima, à imposição de desprezo e isolamento social. Nestes casos o sofrimento parece ser muito maior. Para articular estratégias de enfrentamento contra este
tipo de bullying, é preciso um diagnóstico preciso do processo social e cultural do grupo onde a criança gravita, um domínio dos signos e simbolismos, comumente de grande complexidade para os “estranhos” a este ambiente – familiares e equipe de saúde.

Tudo isto é agravado quando a vítima é portadora de algum grau de autismo, em especial em graus sutis, que dificultam a ela explicitar o que está experienciando, buscar ajuda e aproveitar as estratégias de enfrentamento apresentadas. Crianças com estas características parecem atrair bulliers – e existem de fato razões sócio-pedagógicas para isso, que não abordaremos aqui.

Pessoas portadoras de graus de Autismo encontraram-se 10 vezes mais representadas entre os que morreram por suicídio, independente da idade. Em emergências hospitalares, relatam 3 vezes mais Idéias e comporamentos suicidas, quando perguntados diretamente.

Do contrário, escondem-nos 2 vezes mais! A família, a escola e a equipe de saúde podem não entender o sofrimento do paciente e sua origem. E o sofrimento pode aparecer mascarado de problemas físicos – dores de cabeça, vômitos, ansiedade, etc.

O tratamento de crianças com depressão e outras doenças mentais esbarra numa variedade de dificuldades, a principal delas, talvez, as dificuldades para encontrar quem de fato às ouça e compreenda, no contexto dos seus valores e dores.

Mas também de ajuda-as, conjugando uso de medicamentos, orientação parental, promoção das proteções no ambiente escolar, oferecendo modelos e estratégias de enfrentamento e auto-aceitação potencialmente eficazes.

*O Dr. Sander Fridman atende na área de neuropsiquiatria, psicoterapia e psicoterapia. É Especialista em Psiquiatria pela ABP, Mestre e Doutor em Psiquiatria pela UFRJ, Psiquiatra Forense pelo Dpto de Psiquiatria Legal da ABP.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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