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O super-herói silencioso do RS que não é só um banhado

O super-herói silencioso do RS A Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande (APABG), localizada entre Viamão, Gravataí, Glorinha e Santo Antônio da Patrulha, vem se consolidando como um dos…
O super-herói silencioso do RS
Foto: Igor de Almeida/Ascom Sema

O super-herói silencioso do RS

A Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande (APABG), localizada entre Viamão, Gravataí, Glorinha e Santo Antônio da Patrulha, vem se consolidando como um dos mais importantes aliados naturais no enfrentamento das mudanças climáticas no Rio Grande do Sul.

Em meio a um cenário de estiagens frequentes e temporais cada vez mais severos, o banhado funciona como um sistema natural de contenção e regulação da água, reduzindo riscos de enchentes e garantindo abastecimento em períodos de seca.

Banhados funcionam como grandes reservatórios naturais

Com mais de 136 mil hectares — o equivalente a 190 mil campos de futebol —, a área representa mais de 60% da bacia hidrográfica do Rio Gravataí.

Os banhados do território, como o Banhado Grande e o Banhado dos Pachecos, armazenam a água das chuvas e a liberam gradualmente, desempenhando um papel essencial no equilíbrio hídrico da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Na prática, a função ecológica desses ambientes se assemelha à de grandes barragens, mas com uma vantagem decisiva: tudo ocorre de forma natural, sem impacto ambiental.

Além disso, as áreas úmidas atuam como filtros que impedem que poluentes agrícolas e urbanos contaminem os rios, reforçando a importância ecológica e social da região.

Conexão direta com o Plano Rio Grande

As funções desempenhadas pela APA do Banhado Grande estão alinhadas com políticas públicas estruturantes do Governo do Estado, como os Estudos e Soluções Baseadas na Natureza (SBNS).

O Plano Rio Grande, liderado pelo governador Eduardo Leite, busca reconstruir o RS diante de desastres climáticos e torná-lo mais resiliente e sustentável.

Segundo a secretária estadual do Meio Ambiente, Marjorie Kauffmann, preservar o Banhado Grande significa reforçar a infraestrutura natural já existente, complementando obras de engenharia hídrica e garantindo maior proteção à população.

Refúgio da biodiversidade e espécies ameaçadas

A APA do Banhado Grande é uma unidade de uso sustentável que abriga espécies raras e ameaçadas de extinção. Entre elas estão os peixes anuais, que vivem em poças temporárias e possuem um ciclo de vida adaptado às variações climáticas.

Estudos apontam a existência de ao menos 50 espécies no Rio Grande do Sul, sendo 12 em risco de desaparecer.

Outro destaque é o cervo-do-pantanal, o maior cervídeo da América Latina, presente no Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, área de proteção integral dentro da APA.

De acordo com Cátia Viviane Gonçalves, diretora de Biodiversidade da Sema, a preservação da região não garante apenas a sobrevivência da fauna e flora, mas também influencia diretamente a qualidade de vida de milhões de gaúchos que dependem dos serviços ecossistêmicos prestados pelo banhado.

Natureza como resposta às mudanças climáticas

Os desastres ambientais que marcaram o Rio Grande do Sul nos últimos anos — seis estiagens severas em duas décadas e cerca de dez temporais apenas desde 2023 — demonstram a urgência em adotar soluções sustentáveis.

A preservação do Banhado Grande evidencia que a natureza pode ser a maior aliada na mitigação de eventos climáticos extremos, funcionando como escudo protetor contra secas e inundações.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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