Os produtores gaúchos não puderam avançar de forma mais intensa no plantio da safra de verão, em função do grande número de dias com chuvas, muitas vezes acompanhadas de temporais, ventos fortes e granizo, com prejuízos em instalações e prédios na zona rural e urbana. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, isso trouxe atraso na evolução das culturas, se comparadas com safras anteriores. Das culturas em andamento, o trigo é o que se encontra em maior atraso, “principalmente pelo clima excessivamente úmido verificado nesse final de ciclo, que tem atrasado a maturação das plantas e prejudicado sobremaneira a colheita”, analisa o diretor técnico da Emater/RS, Paulo Silva. Nesta semana, apenas 29% do total da área já se encontram colhidos, quando na média deveria estar com 44%, marcando uma defasagem de 15 pontos percentuais.
Para o trigo, o excesso de umidade, nesse final de ciclo, tem trazido problemas, como o aumento da incidência de doenças fúngicas, além de prejudicar a qualidade do grão. Em alguns casos, devido ao aumento da temperatura e à demora na retirada do produto após sua maturação, os grãos apresentam brotamento ainda na planta. Por hora, apesar dos contratempos enfrentados pela cultura, não se cogita alteração na produção esperada para este ano de 1,462 milhão de t. Porém, a persistir o quadro de chuvas constantes, verificado nos últimos dias, não é de todo descartável a possibilidade de revisão da produtividade média, atualmente estimada em 1.820 kg/ha. Entretanto é prematura qualquer inferência nesse sentido.
A soja é outra cultura que começa a safra de 2007/08 em atraso. Os produtores gaúchos têm enfrentado dificuldades, devido ao tempo excessivamente úmido, na dessecação das plantas que cobrem as áreas destinadas à soja. Atualmente, se estima em 9% a área já semeada, quando na média o Estado deveria estar com 14% nesta época, segundo a série histórica. Quanto à área germinada, cerca de 6% da área prevista se encontra nesse estágio, sem problemas aparentes e apresentando bom desenvolvimento inicial.
Evolução das culturas
Segundo o Acompanhamento Semanal sobre o Desenvolvimento das Culturas, elaborado pela Emater/RS-Ascar, o milho alcança, nesta semana, os 61% de sua área prevista já semeados, o que coloca a atual safra dentro da normalidade em termos de evolução. O avanço de seis pontos percentuais em relação ao período anterior é reflexo do tempo bom ocorrido entre os últimos dias de outubro, quando os produtores puderam intensificar os trabalhos. Apesar da pouca presença do sol, as sementes de milho não têm encontrado dificuldades para a germinação, sendo que, nas áreas onde o desenvolvimento está mais adiantado, os produtores aproveitam a umidade, presente no solo, para efetuarem capinas e adubações regulares.
Apesar do tempo desfavorável, o plantio do arroz avançou 8 pontos percentuais, alcançando 25% do total previsto para este ano, mantendo, porém, o atraso em relação às safras anteriores. Esse avanço foi puxado pelas regiões Central e Lagunar/Litorânea Norte. Nessas regiões, onde as chuvas não foram muito intensas e o principal sistema de plantio é o pré-germinado, municípios como Torres e Mampituba alcançam, em média, os 80%. Nas demais, como a Sul e a da Campanha, o plantio pouco avançou devido ao excesso de umidade nos quadros, sendo que, na média, essas regiões estão com aproximadamente 12% da área já semeada.
Já a cultura do feijão no Estado teve bom avanço no seu plantio. As lavouras de feijão no Estado apresentam-se com 78% de sua área plantados, 70% em desenvolvimento vegetativo e 6% em início de floração. Na grande maioria das regiões produtoras, a fase de plantio já se encontra finalizada ou em vias de conclusão. Resta ainda parte da área a ser plantada na região Sul e, ainda em início, na região Serrana. Espera-se que até meados de novembro, toda a área estimada para plantio, no Estado, esteja concluída. Os danos causados pelas intempéries, na lavoura do feijão, ainda não foram contabilizados.
Hortigrajeiros e criações
Novamente, parte da área Norte do Estado sofreu com as fortes chuvas, ventos e queda de granizo, prejudicando muitas comunidades e áreas de cultivos de hortigranjeiros, especialmente frutas e folhosas cultivadas a céu aberto. Benfeitorias, como estufas e ambientes protegidos, também foram seriamente danificadas. Alguns pomares com frutas de mesa como uvas, moranguinho e outras pequenas frutas cultivadas na Serra, também foram atingidas pelas intempéries.
As chuvas continuam dificultando o preparo do solo, com vistas à implantação das novas pastagens. Os potreiros localizados nas áreas mais baixas seguem bastante úmidos, dificultando o manejo dos animais.
O mercado do boi gordo se manteve estável no decorrer da semana. De acordo com pesquisa que acompanha as variações do mercado, realizada pela Emater/RS-Ascar, essa estabilidade dos preços interrompe uma seqüência de quedas que vinha ocorrendo. O preço médio do boi gordo ficou estabilizado em R$ 2,24/kg. A mesma estabilidade foi registrada para vaca gorda, ficando o produto cotado, em média, a R$ 2,05/kg. Ambos os valores foram pagos para os animais em condições de abate por kg vivo, para pagamento com prazos de 20 ou 30 dias. As categorias de reposição seguem bastante procuradas. Devido à escassez de oferta, o produto continua bem valorizado.
Apesar da crise que passa o setor industrial de laticínios, a pesquisa que acompanha as variações do mercado realizadas pela Emater/RS-Ascar não registrou queda no preço pago aos produtores de leite. No momento, o produto encontra-se estabilizado. O preço médio fechou cotado na semana em R$ 0,56/l. O máximo está em R$ 0,61 e o mínimo em R$ 0,44. A oferta do produto continua em ascendência graças à boa recuperação dos animais, fruto de uma maior oferta de alimento.
No município de Tramandaí, em decorrência das irregulares condições do mar para as atividades de pesca com o bote, a grande maioria dos pescadores segue concentrando suas atividades de pesca de praia (rede de cabo e calão). Nesta modalidade, as espécies mais capturadas estão sendo corvinas, bagres (em menor quantidade), pescadas e tainhas. O rendimento médio está em uma caixa por rede para cada ciclo de 24 horas. O fluxo do estuário da Bacia do Rio Tramandaí segue sendo de vazante, fato que sabidamente reduz as capturas com rede, tarrafa e coquinha. O rendimento tem ficado em torno de 0,8 kg/dia, predominando nas capturas tainhotas, corvinas e alguns poucos bagres. Com o início da chegada de alguns veranistas, as vendas aumentaram e o preço do bagre melhorou para pescadores. Na próxima semana tem início o período de defeso na bacia do rio Tramandaí.
Na região Noroeste, a pesca no Rio Uruguai entrou em seu período de defeso, que consiste na interrupção nas atividades de pesca durante o período da piracema, momento em que ocorre a reprodução dos peixes. Seu término está previsto para final do mês de janeiro de 2008.



















